quadragésima terceira parte
Finalmente sentado no novo estádio do Dragão. A Margarida ficara no hotel a dormir e eu mal me sentia. Doía-me tudo. Poucas partes do corpo não estavam doridas. lol.
Preocupava-me o regresso ao hotel, ia ser desfeito. Pensei quase a soltar uma gargalhada. Ainda tinha de estudar o dossier e preparar-me para reunião. Tinha de ir comer alguma coisa rápida com ela e voltar para reler uma montanha de coisas. Olhei o telemóvel e nem tinha dado conta de duas mensagens:
”não queria nem vou desistir de ti”
Assinado: Cláudia. Boa, lembrou-se agora.
”podia ter pintado pétalas de rosa, mas não teriam o teu perfume, não teriam a beleza do que sinto por ti, não teriam a vida que quero ter contigo…”
Assinado: Sónia. Deu-lhe para o romantismo, eu na bola e dá-lhe para o romantismo. Respondi às duas:
”perdeste a vez, desculpa”
Teria sido melhor dizer outra coisa, mas tinha de acabar já ali.
”gostei… muito bem… já estou no estádio…”
As mulheres escolhem as coisas mais estranhas para dizer nos momentos mais estranhos… Mas depressa veio a resposta:
”bibó porto carago… carago não caralho… :-) ”
Deu-me vontade rir. Nunca esperaria uma mensagem destas, vinda da Sónia. Por momentos olhei aquela multidão a torcer, a defender o que amava e eu nada fazia por mim. Que se lixe, pensei. Força Porto.
Mais uma vitória. E mais uma confusão brutal para sair do estádio. Em passo de corrida fui em direcção à igreja das Antas e tentei fugir ao trânsito apanhando a VCI.
Sabia que ia ter pouco tempo, teria a fera à minha espera, jantar qualquer coisa e preparar a reunião. Estava rotinado nas reuniões, era mais uma e sendo um cliente antigo do Filipe não seria difícil de o conquistar. Fizera um esforço mas não me recordava daquele António Aragão. Não havia de ser nada, apenas mais uma reunião.
Chegado ao hotel, a fera ainda dormia. Entrara e saíra e ela nem uma nem duas. Aproximei-me e notei que tomara banho, mas estava nua com o lençol por cima. Reparei no tabuleiro em cima da mesa e o prato tapado. Levantei e tinha o meu jantar. Muito bem, menina prendada. Ainda estava quente, devia ter acabado de chegar. Olhei para ela mas nada, estava mesmo a dormir. Sentei-me a comer e aproveitei para reler os documentos para o dia a seguir. Continuava com o bichinho na cabeça sobre aquele tal Aragão, mas nada, nem memória ou ideia.
- Olha quem acordou…
- Quem ganhou?
- Quem havia de ser. – disse sorrindo.
- Fogo nunca perdem…
- Dormiste bem?
- Sim, mandei vir o comer porque a cozinha ia fechar…
- Fizeste bem… deixa-te estar ainda vou reler tudo isto…
- Tenho de ir, amanha trabalho…
- Fica mais um pouco…
Preocupava-me o regresso ao hotel, ia ser desfeito. Pensei quase a soltar uma gargalhada. Ainda tinha de estudar o dossier e preparar-me para reunião. Tinha de ir comer alguma coisa rápida com ela e voltar para reler uma montanha de coisas. Olhei o telemóvel e nem tinha dado conta de duas mensagens:
”não queria nem vou desistir de ti”
Assinado: Cláudia. Boa, lembrou-se agora.
”podia ter pintado pétalas de rosa, mas não teriam o teu perfume, não teriam a beleza do que sinto por ti, não teriam a vida que quero ter contigo…”
Assinado: Sónia. Deu-lhe para o romantismo, eu na bola e dá-lhe para o romantismo. Respondi às duas:
”perdeste a vez, desculpa”
Teria sido melhor dizer outra coisa, mas tinha de acabar já ali.
”gostei… muito bem… já estou no estádio…”
As mulheres escolhem as coisas mais estranhas para dizer nos momentos mais estranhos… Mas depressa veio a resposta:
”bibó porto carago… carago não caralho… :-) ”
Deu-me vontade rir. Nunca esperaria uma mensagem destas, vinda da Sónia. Por momentos olhei aquela multidão a torcer, a defender o que amava e eu nada fazia por mim. Que se lixe, pensei. Força Porto.
Mais uma vitória. E mais uma confusão brutal para sair do estádio. Em passo de corrida fui em direcção à igreja das Antas e tentei fugir ao trânsito apanhando a VCI.
Sabia que ia ter pouco tempo, teria a fera à minha espera, jantar qualquer coisa e preparar a reunião. Estava rotinado nas reuniões, era mais uma e sendo um cliente antigo do Filipe não seria difícil de o conquistar. Fizera um esforço mas não me recordava daquele António Aragão. Não havia de ser nada, apenas mais uma reunião.
Chegado ao hotel, a fera ainda dormia. Entrara e saíra e ela nem uma nem duas. Aproximei-me e notei que tomara banho, mas estava nua com o lençol por cima. Reparei no tabuleiro em cima da mesa e o prato tapado. Levantei e tinha o meu jantar. Muito bem, menina prendada. Ainda estava quente, devia ter acabado de chegar. Olhei para ela mas nada, estava mesmo a dormir. Sentei-me a comer e aproveitei para reler os documentos para o dia a seguir. Continuava com o bichinho na cabeça sobre aquele tal Aragão, mas nada, nem memória ou ideia.
- Olha quem acordou…
- Quem ganhou?
- Quem havia de ser. – disse sorrindo.
- Fogo nunca perdem…
- Dormiste bem?
- Sim, mandei vir o comer porque a cozinha ia fechar…
- Fizeste bem… deixa-te estar ainda vou reler tudo isto…
- Tenho de ir, amanha trabalho…
- Fica mais um pouco…

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