a quadragésima parte
Pouco mais dormira que umas quatro horas. Mas nem por isso tinha sono, era sexta-feira, e aquele casal meio doido da rádio estava a saber que nem ginjas.
Pensei para comigo, que provavelmente nem dariam conta do bem que estariam a fazer a milhares de pessoas, com todas aquelas baboseiras. Sem me dar conta, puxava pela memória para tentar escrutinar a próxima reunião no Porto.
Pouco depois das oito, questionei logo a Judite sobre a minha agenda:
- Judite ando com vontade de ir ao Porto, ver um jogo...
- O Engenheiro Filipe tem uma reunião na próxima segunda… veja se há jogo no domingo e faça-lhe a reunião. – sugeriu ela. – Eu sei de fonte segura que ele tem pouca vontade de ir…
Grande Judite, vinha mesmo a calhar. O Porto recebia o Leiria, já no novo estádio e podia conhecer a… a quê? Nem soubera o nome dela ou ficara com o telefone. Que inteligente tinha sido, tanta conversa e nem o nome nem o telefone tinha. Logo à noite tinha de a encontrar. O pior é que tinha de trocar já com o Filipe e teria de arriscar. Se a não encontrar hoje no chat, irei só ver a bola. Não fará grande mal, pensei. Ainda não tinha visto o estádio pronto. lol.
- Posso…?
- Sim, Sónia entra.
- Vinha fazer-te um convite.
- Sim diz…
- Queres ir jantar lá a casa hoje? – disse receosa.
- Não posso, estou de dieta. – disse eu a sorrir.
- Ok, tudo bem.
- Estava a brincar. Sim claro que posso. Onde e a que horas?
- Tens aqui a morada. Aparece por volta das oito.
Boa, tinha de me organizar, ou ficava até tarde no jantar ou tinha de ir mais cedo e tentar encontrar a maria76. Para já nada como informar o Filipe que a reunião de segunda-feira podia ser feita por mim.
- Judite chegue aqui.
- Sim, um momento.
Ouvia levantar-se bater na minha porta.
- Peça ao Filipe a pasta da reunião de segunda.
- Quer o historial do cliente?
- Sim também. Outra coisa já agora. – disse fazendo sinal para se sentar, e continuei. – Só eu não reparei que a Sónia tinha um fraquinho por mim?
- Se me permite, não é bem um fraquinho…
- Então? – interrompi eu. – Conte-me lá.
- É mais um grande amor. Desde o princípio que ela o idolatrou, daí a gostar de si deve ter sido um passito…
- Sim e mais…
- Ela não é de falar muito, mas entre colegas sabe como é. Uma coisa aqui outra ali.
- Imagino… mas continue…
- Pouco mais sei, mas que nunca ninguém lhe viu um namorado ou algo que o valha…
- Sim. Mas daí a estar apaixonada por mim…
- Acredite em mim. Aquilo é mesmo amor. Nem imagina como ela estava ontem…
- Pois… mas nem sei que pensar.
- Quer um conselho? Se me permite. Não pense. – disse sorrindo.
- Obrigado Judite.
Senti-me estranho por dentro. Um formigueiro correu por mim acima e deixou-me instável. Sem vontade de estar sentado, sem conseguir pensar. Nutria por ela um carinho especial, trabalhava com ela desde o início da empresa. Mas não sabia o que sentir mais.
Receei por momentos ser uma obsessão da cabeça dela, de ser uma fantasia que ela criara, ou algo ainda pior. Sorri, mas por momentos imaginei-me a ser torturado e obrigado a casar com ela.
Com tanta coisa para fazer e a perder-me com coisas parvas. Virei-me para dois rolos de papel e revi o projecto dos Açores. Anotei uma montanha de coisas e recordei imensos pormenores do início da empresa. Estava quase tudo mudado e alterado. Novas instalações, novos horizontes. Mas acima de tudo menos trabalho de estirador, agora era quase tudo a computador. Olhei o velho estirador onde revia os trabalhos e projectos e dei comigo a olhar para trás com imensa saudade.
Pouco mais dormira que umas quatro horas. Mas nem por isso tinha sono, era sexta-feira, e aquele casal meio doido da rádio estava a saber que nem ginjas.
Pensei para comigo, que provavelmente nem dariam conta do bem que estariam a fazer a milhares de pessoas, com todas aquelas baboseiras. Sem me dar conta, puxava pela memória para tentar escrutinar a próxima reunião no Porto.
Pouco depois das oito, questionei logo a Judite sobre a minha agenda:
- Judite ando com vontade de ir ao Porto, ver um jogo...
- O Engenheiro Filipe tem uma reunião na próxima segunda… veja se há jogo no domingo e faça-lhe a reunião. – sugeriu ela. – Eu sei de fonte segura que ele tem pouca vontade de ir…
Grande Judite, vinha mesmo a calhar. O Porto recebia o Leiria, já no novo estádio e podia conhecer a… a quê? Nem soubera o nome dela ou ficara com o telefone. Que inteligente tinha sido, tanta conversa e nem o nome nem o telefone tinha. Logo à noite tinha de a encontrar. O pior é que tinha de trocar já com o Filipe e teria de arriscar. Se a não encontrar hoje no chat, irei só ver a bola. Não fará grande mal, pensei. Ainda não tinha visto o estádio pronto. lol.
- Posso…?
- Sim, Sónia entra.
- Vinha fazer-te um convite.
- Sim diz…
- Queres ir jantar lá a casa hoje? – disse receosa.
- Não posso, estou de dieta. – disse eu a sorrir.
- Ok, tudo bem.
- Estava a brincar. Sim claro que posso. Onde e a que horas?
- Tens aqui a morada. Aparece por volta das oito.
Boa, tinha de me organizar, ou ficava até tarde no jantar ou tinha de ir mais cedo e tentar encontrar a maria76. Para já nada como informar o Filipe que a reunião de segunda-feira podia ser feita por mim.
- Judite chegue aqui.
- Sim, um momento.
Ouvia levantar-se bater na minha porta.
- Peça ao Filipe a pasta da reunião de segunda.
- Quer o historial do cliente?
- Sim também. Outra coisa já agora. – disse fazendo sinal para se sentar, e continuei. – Só eu não reparei que a Sónia tinha um fraquinho por mim?
- Se me permite, não é bem um fraquinho…
- Então? – interrompi eu. – Conte-me lá.
- É mais um grande amor. Desde o princípio que ela o idolatrou, daí a gostar de si deve ter sido um passito…
- Sim e mais…
- Ela não é de falar muito, mas entre colegas sabe como é. Uma coisa aqui outra ali.
- Imagino… mas continue…
- Pouco mais sei, mas que nunca ninguém lhe viu um namorado ou algo que o valha…
- Sim. Mas daí a estar apaixonada por mim…
- Acredite em mim. Aquilo é mesmo amor. Nem imagina como ela estava ontem…
- Pois… mas nem sei que pensar.
- Quer um conselho? Se me permite. Não pense. – disse sorrindo.
- Obrigado Judite.
Senti-me estranho por dentro. Um formigueiro correu por mim acima e deixou-me instável. Sem vontade de estar sentado, sem conseguir pensar. Nutria por ela um carinho especial, trabalhava com ela desde o início da empresa. Mas não sabia o que sentir mais.
Receei por momentos ser uma obsessão da cabeça dela, de ser uma fantasia que ela criara, ou algo ainda pior. Sorri, mas por momentos imaginei-me a ser torturado e obrigado a casar com ela.
Com tanta coisa para fazer e a perder-me com coisas parvas. Virei-me para dois rolos de papel e revi o projecto dos Açores. Anotei uma montanha de coisas e recordei imensos pormenores do início da empresa. Estava quase tudo mudado e alterado. Novas instalações, novos horizontes. Mas acima de tudo menos trabalho de estirador, agora era quase tudo a computador. Olhei o velho estirador onde revia os trabalhos e projectos e dei comigo a olhar para trás com imensa saudade.

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