sábado, agosto 05, 2006

o resto da trigésima sexta

A casa da Isabel ficava em Odivelas, um T2 com jardim engraçado na frente mas cheio de carros mal estacionados. Olhei a decoração. Simples e organizada. Parecia tudo no sítio e sem coisas a mais ou a menos. Tudo na medida certa.
Olhei o computador de onde me escrevia. E sorri. A vida de hoje em dia, podia resumir-se a isso. Dois computadores em lugares distantes e remotos. E mesmo assim, conseguir viver do outro lado do écran.
- Põe-te à vontade…
- Já estou.
- Queres tomar algo?
- Não. Estou bem assim.
- Nervoso?
- Nada e tu.
- Muito. Muito mesmo.
- Porque?
- O último homem foi o meu marido e já lá vão três anos.
- Descontrai. Não dói nada. – disse sorrindo.
- É melhor estar no computador a escrever, estou mais solta, mais à vontade…
- Aqui é igual, descontrai…
- Eu sei, mas não consigo.
- Tens um lenço? Um grande?
- Sim, tira dessa gaveta.
- Façamos um jogo. – disse abrindo a gaveta. – Fecha os olhos e deixa-me tapá-los com o lenço.
- Ok.
- Vês alguma coisa?
- Não.
Passei a mão para me certificar. Mas nada estava bem vendada. Levantei-a e sentei-a no sofá maior. E entre sorrisos e mãos a voar lá conseguimos.
- Imagina o écran. Estás em frente dele. Que me dirias neste momento?
- Que te queria aqui. Junto de mim.
- É assim tão complicado? – disse para a descontrair.
- Não, continua…
- De que sentes mais falta na vida?
- De mimos, de me darem atenção, de ter alguém só para mim…
- E eu a pensar que era sexo…
- Oh, não sejas parvo. – disse sorrindo. – Disso também, mas não é o mais importante.
- Sim eu sei. Em que pensas?
- Onde vamos chegar com este jogo.
- Continuemos.
- Pergunta.
- Quem disse que eram só perguntas? Tira a blusa…
- Hum… Não sou capaz. Tira tu.
- Nada disso tira tu.
- Ok, eu tiro.
Fiquei a olhá-la, sentada de soutien coberto pelos braços cruzados. Reparei nos mamilos duros, e tentei não me excitar e dar mais piada ao jogo.
- Quantos homens tiveste até hoje?
- Acho que cinco.
- Todos com sexo?
- Com sexo foram três. – disse já corada.
- Eu vou ser o quarto?
- Se quiseres…
- Tira as calças…
Sentia de pé em frente de mim. Senti o cheiro. Senti a vontade de estar ali e de fazermos amor. Como se de um cheiro se tratasse. Descalçou-se e tirou as calças. Em frente de mim, uma bela mulher, com um fio dental vermelho e um soutien que devia ser um ou dois números abaixo, para realçar o tamanho. O tamanho que diga-se a verdade já era um 38 ou 40.
- Estás excitada?
- Estou a ficar…
- Alinhas em tudo na cama?
- Não tenho tabus.
- Conta-me uma loucura que tenhas feito…
- Sexo oral ao meu marido num elevador…
- Fizeste até ao fim?
- Sim…
- Engoliste?
- Sim…
- Outra loucura…
- Dentro de água na praia…
- Foi bom?
- Não, andei com infecção uns dias. – disse sorrindo.
- Porque não tiveste mais ninguém neste tempo todo?
- Teria sido só sexo… não me agrada assim…
- E agora não vai ser só sexo?
- Vai. Mas gosto de ti. Será diferente…
- Tira o soutien…
- Não queres tirar tu?
- Não.
Notei então os mamilos duros. O peito apontado a mim, quase a implorar que a levasse para o quarto. Mas continuei. Estava a gostar. Aquela calma. Aquele à vontade excitava-me imenso. Adorava aquela visão que tinha dela naquele momento.
- Algo que nunca fizeste e que adorasses fazer?
- Sexo a três…
- Fazias?
- Acho que sim…
- Mais uma mulher ou mais um homem?
- Tanto fazia…
- Hum… mais excitada?
- Sim. Muito e tu?
- Surpresa. Tira o fio dental…
- Vem tirar tu…
- Nada disso tira e masturba-te para te ver. Quero ver-te assim.
Sem dar conta, entrava no mundo paralelo. Nada me prendia aquela mulher, podia sair, fugir que nada sabia de mim. Tinha o meu numero e pouco mais. Não sabia mesmo nada de mim. Recordei as frases que me dissera na outra noite. As mulheres perdidas, que entravam em todos os jogos e fiquei a olhar para ela. Completamente absorvida no meu jogo. Deitei-a. Beijei-a e disse-lhe ao ouvido: És louca princesa.
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