trigésima quinta parte
A Cláudia não parava de chorar, e nem as brincadeiras do Filipe sobre o meu acto heróico a animavam. Fiz sinal ao Filipe e lá entendeu que estava a mais. E lá arranjou uma saída inteligente.
- Bem. Alguém tem de ir trabalhar. Fica descansado maninho, eu seguro o escritório.
- Se precisares de algo diz. – disse, levando-o à porta.
Voltei para dentro e Cláudia estava agora deitada de barriga para baixo, com a cabeça sobre os braços.
- Já passou. Queres que te vá buscar alguma coisa. – disse virando-a suavemente para cima.
- Não precisavas bater-lhe assim. – disse limpando as lágrimas.
- Olha lá. O gajo tinha uma faca, ameaçou-te, ameaçou-me até à Ana ameaçou e ainda o defendes?
- Ele não faria nada, apenas queria dinheiro…
- E eu ia lá saber. Aliás como sabia ele que eu tinha uma filha?
- Ele já cá veio duas ou três vezes. Levou dinheiro e foi-se. Era isso que ia acontecer.
- Não te armes em defensora dos fracos. Eu levei um pontapé, e fui ameaçado…
- Mesmo assim não precisavas quase de o matar.
- Olha parece que tudo isto tem a ver com o que sentes por ele: O gajo ameaçou meio mundo. E calhou eu conseguir defender-me e vens com essas merdas. Santa paciência…
- Não devias ter feito o que fizeste…
- Fiquemos por aqui Cláudia, já me chega de emoções e de ouvir coisas parvas. Fica bem.
E saí porta fora. Foda-se. Ainda o estava a defender. Já na rua liguei para o escritório para sintonizar a Judite com tudo, mas ela já sabia e disse-me para não me preocupar, que o Alberto trataria de tudo.
Sentia-me nervoso. Muito nervoso mesmo. Meio perdido. E sem saber quem teria razão, se a Cláudia ou eu. Que se lixe. Agarrei no telemóvel e apeteceu-me atirá-lo ao ar. Foda-se que merda de vida. Não me apetecia estar só. Mandei uma mensagem à Isabel a ver se queria almoçar.
”claro que sim, 13 horas no Colombo no piso 2”
A resposta animou-me. Estava meio perdido. Sentia-me longe de tudo. Só no meio de tanta gente. O toque do telemóvel ligou-me ao mundo.
- Tou, mãe diga.
- Que se passou estás bem?
- Sim já passou. Como soube desta confusão?
- O Filipe ligou e contou.
- Não se preocupe está tudo bem. O pai está bom?
- Sim. Só preocupado. Queres vir cá jantar?
- No fim-de-semana passo aí. Tenho muita coisa para fazer hoje. Um beijo
- Outro. Qualquer coisa liga.
Os meus pais eram assim. Apareciam, mal um dos rebentos estivesse aflito. Tinha de me organizar para ir a casa deles no fim-de-semana. Fazia mais de dois meses que nada dizia nem aparecia. O típico filho desnaturado. Mas com um espaço onde eles não se metiam. E isso agradava-me.
A Cláudia não parava de chorar, e nem as brincadeiras do Filipe sobre o meu acto heróico a animavam. Fiz sinal ao Filipe e lá entendeu que estava a mais. E lá arranjou uma saída inteligente.
- Bem. Alguém tem de ir trabalhar. Fica descansado maninho, eu seguro o escritório.
- Se precisares de algo diz. – disse, levando-o à porta.
Voltei para dentro e Cláudia estava agora deitada de barriga para baixo, com a cabeça sobre os braços.
- Já passou. Queres que te vá buscar alguma coisa. – disse virando-a suavemente para cima.
- Não precisavas bater-lhe assim. – disse limpando as lágrimas.
- Olha lá. O gajo tinha uma faca, ameaçou-te, ameaçou-me até à Ana ameaçou e ainda o defendes?
- Ele não faria nada, apenas queria dinheiro…
- E eu ia lá saber. Aliás como sabia ele que eu tinha uma filha?
- Ele já cá veio duas ou três vezes. Levou dinheiro e foi-se. Era isso que ia acontecer.
- Não te armes em defensora dos fracos. Eu levei um pontapé, e fui ameaçado…
- Mesmo assim não precisavas quase de o matar.
- Olha parece que tudo isto tem a ver com o que sentes por ele: O gajo ameaçou meio mundo. E calhou eu conseguir defender-me e vens com essas merdas. Santa paciência…
- Não devias ter feito o que fizeste…
- Fiquemos por aqui Cláudia, já me chega de emoções e de ouvir coisas parvas. Fica bem.
E saí porta fora. Foda-se. Ainda o estava a defender. Já na rua liguei para o escritório para sintonizar a Judite com tudo, mas ela já sabia e disse-me para não me preocupar, que o Alberto trataria de tudo.
Sentia-me nervoso. Muito nervoso mesmo. Meio perdido. E sem saber quem teria razão, se a Cláudia ou eu. Que se lixe. Agarrei no telemóvel e apeteceu-me atirá-lo ao ar. Foda-se que merda de vida. Não me apetecia estar só. Mandei uma mensagem à Isabel a ver se queria almoçar.
”claro que sim, 13 horas no Colombo no piso 2”
A resposta animou-me. Estava meio perdido. Sentia-me longe de tudo. Só no meio de tanta gente. O toque do telemóvel ligou-me ao mundo.
- Tou, mãe diga.
- Que se passou estás bem?
- Sim já passou. Como soube desta confusão?
- O Filipe ligou e contou.
- Não se preocupe está tudo bem. O pai está bom?
- Sim. Só preocupado. Queres vir cá jantar?
- No fim-de-semana passo aí. Tenho muita coisa para fazer hoje. Um beijo
- Outro. Qualquer coisa liga.
Os meus pais eram assim. Apareciam, mal um dos rebentos estivesse aflito. Tinha de me organizar para ir a casa deles no fim-de-semana. Fazia mais de dois meses que nada dizia nem aparecia. O típico filho desnaturado. Mas com um espaço onde eles não se metiam. E isso agradava-me.

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