trigésima segunda parte
O fim-de-semana passara num instante. Meio anestesiado com aquela história, quase não dormi de domingo para segunda-feira. E aí estava mais uma semana de trabalho.
- Bom dia Judite…
- Bom dia engenheiro…
- Algum recado?
- Nada de importante, uma chamada do Porto e imensas dos Açores. Tem tudo anotado na secretária. Quer café?
- Sim pode ser.
Entrei na minha sala sem vontade de nada. De mesmo nada, mas tinha de ser. Procurei um CD mas nada que me agradasse. Sintonizei uma rádio e deixei ficar.
Sorri com metade das barbaridades que ouvia na rádio e pensei que fizeram bem escolher o rádio. Um casal de locutores não dizia duas seguidas, mas lá tinham a sua piada, e numa segunda-feira como esta, marchava tudo.
Enterrei-me no trabalho e deixei correr a manhã. Como se nada fosse, como se nada me tivesse sido aberto.
- Sr. Engenheiro, a Dra. Rute Sampaio na linha três.
- Passe…
Só cá faltava esta pensei para comigo…
- Bom dia engenheiro…
- Bom dia… novidades?
- Sim algumas. Podemos almoçar?
- Hoje? Complicado.
- Não te faças de difícil, quero falar contigo.
- Grandes avanços. Que novidades são essas? - perguntei para disfarçar.
- Vá não te faças de difícil, conheço um restaurante novo muito giro…
- Eu conheço muitos… e muito mais giros… - disse levando a conversa para a brincadeira.
- Quero que me comas toda…
Ai a minha mãe. Estas mulheres são piores que nós. Mas que raio de abordagem. Que a coma toda? Bem. Até comia, tinha sido muito boa a outra noite, mas assim, vindo do nada. Sem mais nada a adocicar.
- Onde e a que horas?
- No mesmo hotel? – ouvia dizer já meio eufórica.
- Sim. Mas pago eu.
- Concordo. Meia hora?
- Ok. Dentro de meia hora.
Bonito. São onze da manhã e vou para um hotel com a advogada que gere um dos maiores problemas da empresa. De facto não posso andar com o juízo todo. Não posso mesmo.
- Judite, desmarque a agenda e o mais importante passe para a Arquitecta Sónia. Não devo voltar tão depressa.
- Sem problema. Posso contactar em caso de urgência?
- Claro que sim. Até já.
Saí sem pensar. Mas a ideia de estar com a Rute agradava-me. Tinha sido bom e queria repetir. E repetir muitas vezes. lol. Devo estar louco mas que se lixe. Um toque de mensagem despertou estes devaneios:
”vem até minha casa tenho uma surpresa… filipa”
Grande merda. E não podia ser noutra altura. Tinha de ser logo agora. Merda. Isto só mesmo a mim. Agarrei no telemóvel e liguei a Rute.
- Estou Rute, surgiu um imprevisto e não posso ir, desculpa.
- Algo de grave?
- Sim. Um amigo com problemas. Depois falamos. Beijo.
Toca de inverter a marcha e voltar para Lisboa. Lapa, lá vou eu. A curiosidade quase me apertava o estômago, com aquela sensação meio estranha de algo de bom iria acontecer. Ou de mau, nunca se sabe. Tentava recordar as conversas com a Filipa, mas nada me vinha à cabeça. Pensei para comigo não há-de ser nada e lá fui.
Subi a escada devagar para não chegar cansado e bati ao de leve à porta.
- Um minuto, já vou. – ouvi, alguém gritando lá de dentro.
A porta abriu-se finalmente e ali estava ela a louca da Filipa, de camisa de noite e aparentemente nada por baixo. Meteu-se por detrás de mim e vendando-me os olhos, levou-me para a sala.
- Surpresa… - disse destapando-me os olhos. – Esta é a Rita, uma amiga de curso…
- Olá Rita, tudo bem?
- Olá Miguel. Sim e contigo.
- Também.
- Vá meninos, toca a despir, é dia de sexo a três… - disse a Filipa tirando a camisa e confirmando as minhas suspeitas. Nada tinha por baixo.
- Era esta a surpresa? – perguntei eu com as duas já à minha volta.
- Vá cala-te e deixa-te de merdas…
O fim-de-semana passara num instante. Meio anestesiado com aquela história, quase não dormi de domingo para segunda-feira. E aí estava mais uma semana de trabalho.
- Bom dia Judite…
- Bom dia engenheiro…
- Algum recado?
- Nada de importante, uma chamada do Porto e imensas dos Açores. Tem tudo anotado na secretária. Quer café?
- Sim pode ser.
Entrei na minha sala sem vontade de nada. De mesmo nada, mas tinha de ser. Procurei um CD mas nada que me agradasse. Sintonizei uma rádio e deixei ficar.
Sorri com metade das barbaridades que ouvia na rádio e pensei que fizeram bem escolher o rádio. Um casal de locutores não dizia duas seguidas, mas lá tinham a sua piada, e numa segunda-feira como esta, marchava tudo.
Enterrei-me no trabalho e deixei correr a manhã. Como se nada fosse, como se nada me tivesse sido aberto.
- Sr. Engenheiro, a Dra. Rute Sampaio na linha três.
- Passe…
Só cá faltava esta pensei para comigo…
- Bom dia engenheiro…
- Bom dia… novidades?
- Sim algumas. Podemos almoçar?
- Hoje? Complicado.
- Não te faças de difícil, quero falar contigo.
- Grandes avanços. Que novidades são essas? - perguntei para disfarçar.
- Vá não te faças de difícil, conheço um restaurante novo muito giro…
- Eu conheço muitos… e muito mais giros… - disse levando a conversa para a brincadeira.
- Quero que me comas toda…
Ai a minha mãe. Estas mulheres são piores que nós. Mas que raio de abordagem. Que a coma toda? Bem. Até comia, tinha sido muito boa a outra noite, mas assim, vindo do nada. Sem mais nada a adocicar.
- Onde e a que horas?
- No mesmo hotel? – ouvia dizer já meio eufórica.
- Sim. Mas pago eu.
- Concordo. Meia hora?
- Ok. Dentro de meia hora.
Bonito. São onze da manhã e vou para um hotel com a advogada que gere um dos maiores problemas da empresa. De facto não posso andar com o juízo todo. Não posso mesmo.
- Judite, desmarque a agenda e o mais importante passe para a Arquitecta Sónia. Não devo voltar tão depressa.
- Sem problema. Posso contactar em caso de urgência?
- Claro que sim. Até já.
Saí sem pensar. Mas a ideia de estar com a Rute agradava-me. Tinha sido bom e queria repetir. E repetir muitas vezes. lol. Devo estar louco mas que se lixe. Um toque de mensagem despertou estes devaneios:
”vem até minha casa tenho uma surpresa… filipa”
Grande merda. E não podia ser noutra altura. Tinha de ser logo agora. Merda. Isto só mesmo a mim. Agarrei no telemóvel e liguei a Rute.
- Estou Rute, surgiu um imprevisto e não posso ir, desculpa.
- Algo de grave?
- Sim. Um amigo com problemas. Depois falamos. Beijo.
Toca de inverter a marcha e voltar para Lisboa. Lapa, lá vou eu. A curiosidade quase me apertava o estômago, com aquela sensação meio estranha de algo de bom iria acontecer. Ou de mau, nunca se sabe. Tentava recordar as conversas com a Filipa, mas nada me vinha à cabeça. Pensei para comigo não há-de ser nada e lá fui.
Subi a escada devagar para não chegar cansado e bati ao de leve à porta.
- Um minuto, já vou. – ouvi, alguém gritando lá de dentro.
A porta abriu-se finalmente e ali estava ela a louca da Filipa, de camisa de noite e aparentemente nada por baixo. Meteu-se por detrás de mim e vendando-me os olhos, levou-me para a sala.
- Surpresa… - disse destapando-me os olhos. – Esta é a Rita, uma amiga de curso…
- Olá Rita, tudo bem?
- Olá Miguel. Sim e contigo.
- Também.
- Vá meninos, toca a despir, é dia de sexo a três… - disse a Filipa tirando a camisa e confirmando as minhas suspeitas. Nada tinha por baixo.
- Era esta a surpresa? – perguntei eu com as duas já à minha volta.
- Vá cala-te e deixa-te de merdas…

2 Comments:
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