um bocadinho da trigésima quarta parte
Acordei com um beijo doce da Ana. Olhei as horas e ainda não eram sete da manhã.
- Bom dia paizão. Levas-me à escola.
- Sim, posso levar. Mas que se passa?
- Nada. Queria falar contigo, só isso.
- Tudo bem, meia hora e saímos.
- Vou descer, despacha-te.
Olhei o espelho e tudo estava na mesma, sentia-me leve. Mas apenas isso. Fiz a barba, tomei um duche rápido e enviei-me num fato cinza escuro, com uma camisa cinza clara e uma gravata cerize. O pequeno-almoço estava prontíssimo, devorei duas torradas e esperei que a Ana fosse buscar um livro enquanto acabava o café.
- Vamos Ana, estamos atrasados. – gritei-lhe na escada.
- Um segundo, vou já.
- Vou para o carro, despacha-te.
Liguei o carro e meti-o na rua, já fora do portão. Cinco minutos depois lá veio a Ana. Reparei que ligeiramente pintada. E recordei o pedido de querer falar comigo. Mas aguardei que começasse ela.
- Queres música? – perguntei como se nada fosse.
- Já namoro. – disse bruscamente.
Olhei o espelho do carro e tentei agir normalmente, como se fosse a notícia mais normal do mundo.
- E quem é o felizardo?
- O Nuno… - disse meio a medo.
- Não conheço esse… quem é o rapaz?
- É filho de uma amiga da mãe…
- Que idade tem?
- Tem quinze anos…
- Quinze ? Olha lá que merda é esta tu tens nove anos. – disse eu quase histérico.
- Pai faço treze para a semana…
Treze? Treze? Para mim iria sempre ter nove… Aliás eu dizia a toda a gente que tinha nove. Para mim tem nove e mais nada.
- Que disse a tua mãe?
- Deu-me umas dicas e disse para quando tiver dúvidas falar com ela.
- Só isso? Começas a namorar e ela apenas diz isso. Deu-te umas dicas.
- Pai… nem te tenho visto. Só trabalhas e trabalhas. Querias que falasse com quem?
- Eu sei, desculpa. Logo falamos e porta-te bem com esse Bruno…
- Nuno pai, ele chama-se Nuno…
- Ou isso. Beijo, até logo. Chego cedo para conversarmos.
- Beijo. Até logo.
Via sair. Estava uma mulher. Uma mulher bonita como a mãe. Não tinha dado conta do que crescera. Senti-me triste, tinha perdido estas últimas semanas e meses da vida dela. Provavelmente os mais importantes. Tinha de parar e dar-lhe mais atenção.
Acelerei e meti-me no meio do trânsito para Lisboa, procurei aquele casal meio doido a ver se me animava a manhã… e ali estavam eles. Bem vindos sejam. Não se conseguia ouvir uma música de princípio ao fim, mas não importava, no meio da confusão, de todo aquele trânsito, valia tudo. Mesmo tudo. Quase que nem o toque do telemóvel ouvi.
- Tou… Miguel…
- Sim Cláudia diz…
- Vem ter comigo.
- Passa-se alguma coisa?
- Passa. Vem ter comigo.
- Estás onde? Em casa?
- Sim…
- Dez minutos. Até já.
Que se estaria a passar. Dei meia volta e fui em direcção a casa dela. Pela voz algo de estranho seria. Mil coisas me passaram pela cabeça. Seria o tal João que voltara do deserto, tal D. Sebastião. Só podia, nada de tão grave podia ser. Estacionei e subi a casa dela. Nem precisei tocar, a porta entre aberta já me esperava. Entrei e chamei-a.
- Cláudia…
- Estou no quarto, entra.
- Que se passa princesa?
Entrei no quarto e fui empurrado para o chão. Virei-me e deparei-me com um gajo mal-encarado, aparentemente drogado e fora de si.
- Passa-me a guita meu e não bufes!
- Tem calma meu… tudo bem, leva o que tenho…
- Nem meu, nem meio meu, passa tudo. Vá depressa. Esse relógio e o telemóvel. Vá despacha-te.
- Tem calma João. Leva tudo e vai-te embora. Por favor.
...
Acordei com um beijo doce da Ana. Olhei as horas e ainda não eram sete da manhã.
- Bom dia paizão. Levas-me à escola.
- Sim, posso levar. Mas que se passa?
- Nada. Queria falar contigo, só isso.
- Tudo bem, meia hora e saímos.
- Vou descer, despacha-te.
Olhei o espelho e tudo estava na mesma, sentia-me leve. Mas apenas isso. Fiz a barba, tomei um duche rápido e enviei-me num fato cinza escuro, com uma camisa cinza clara e uma gravata cerize. O pequeno-almoço estava prontíssimo, devorei duas torradas e esperei que a Ana fosse buscar um livro enquanto acabava o café.
- Vamos Ana, estamos atrasados. – gritei-lhe na escada.
- Um segundo, vou já.
- Vou para o carro, despacha-te.
Liguei o carro e meti-o na rua, já fora do portão. Cinco minutos depois lá veio a Ana. Reparei que ligeiramente pintada. E recordei o pedido de querer falar comigo. Mas aguardei que começasse ela.
- Queres música? – perguntei como se nada fosse.
- Já namoro. – disse bruscamente.
Olhei o espelho do carro e tentei agir normalmente, como se fosse a notícia mais normal do mundo.
- E quem é o felizardo?
- O Nuno… - disse meio a medo.
- Não conheço esse… quem é o rapaz?
- É filho de uma amiga da mãe…
- Que idade tem?
- Tem quinze anos…
- Quinze ? Olha lá que merda é esta tu tens nove anos. – disse eu quase histérico.
- Pai faço treze para a semana…
Treze? Treze? Para mim iria sempre ter nove… Aliás eu dizia a toda a gente que tinha nove. Para mim tem nove e mais nada.
- Que disse a tua mãe?
- Deu-me umas dicas e disse para quando tiver dúvidas falar com ela.
- Só isso? Começas a namorar e ela apenas diz isso. Deu-te umas dicas.
- Pai… nem te tenho visto. Só trabalhas e trabalhas. Querias que falasse com quem?
- Eu sei, desculpa. Logo falamos e porta-te bem com esse Bruno…
- Nuno pai, ele chama-se Nuno…
- Ou isso. Beijo, até logo. Chego cedo para conversarmos.
- Beijo. Até logo.
Via sair. Estava uma mulher. Uma mulher bonita como a mãe. Não tinha dado conta do que crescera. Senti-me triste, tinha perdido estas últimas semanas e meses da vida dela. Provavelmente os mais importantes. Tinha de parar e dar-lhe mais atenção.
Acelerei e meti-me no meio do trânsito para Lisboa, procurei aquele casal meio doido a ver se me animava a manhã… e ali estavam eles. Bem vindos sejam. Não se conseguia ouvir uma música de princípio ao fim, mas não importava, no meio da confusão, de todo aquele trânsito, valia tudo. Mesmo tudo. Quase que nem o toque do telemóvel ouvi.
- Tou… Miguel…
- Sim Cláudia diz…
- Vem ter comigo.
- Passa-se alguma coisa?
- Passa. Vem ter comigo.
- Estás onde? Em casa?
- Sim…
- Dez minutos. Até já.
Que se estaria a passar. Dei meia volta e fui em direcção a casa dela. Pela voz algo de estranho seria. Mil coisas me passaram pela cabeça. Seria o tal João que voltara do deserto, tal D. Sebastião. Só podia, nada de tão grave podia ser. Estacionei e subi a casa dela. Nem precisei tocar, a porta entre aberta já me esperava. Entrei e chamei-a.
- Cláudia…
- Estou no quarto, entra.
- Que se passa princesa?
Entrei no quarto e fui empurrado para o chão. Virei-me e deparei-me com um gajo mal-encarado, aparentemente drogado e fora de si.
- Passa-me a guita meu e não bufes!
- Tem calma meu… tudo bem, leva o que tenho…
- Nem meu, nem meio meu, passa tudo. Vá depressa. Esse relógio e o telemóvel. Vá despacha-te.
- Tem calma João. Leva tudo e vai-te embora. Por favor.
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