quarta-feira, agosto 23, 2006

a trigésima oitava parte

Sentia falta de trabalhar. Tinha dado pouco valor a algumas coisas. E decidira durante a noite que o deveria fazer. Parar e pensar. Estar mais atento aos pormenores que nunca me diziam nada e dedicar-me às coisas mais pequenas do meu dia a dia.
- Bom dia Judite. Como está.
- Bom dia engenheiro.
- Traga dois cafés e venha à minha sala.
Percebi o espanto na cara dela. Trabalhava à mais de três ou quatro anos comigo e seria o primeiro café a dois.
- Ainda não lhe agradeci o favor que o seu marido me fez.
- Não precisa. Ora essa, já me ajudou o bastante.
- Está há quanto tempo comigo aqui na empresa?
- Faz oito anos em Setembro…
- Sim é isso falhei por um ano… – interrompi eu. – A agenda de hoje como está?
- Complicada. E ainda tem de receber a Dra. Rute Sampaio que nem a consegui encaixar. Conte com ela lá para o meio da tarde. Não esqueça que para a semana tem de ir aos Açores e decidir a equipa que vai consigo.
- Estava esquecido. Chame-me a Sónia para me fazer um ponto da situação do projecto, marque hotel para os dois. Confira depois com ela.
Tinha de ir conferir o local da obra e reunir com o empreiteiro. Estava completamente esquecido.
- Estou Filipe. Olha lá, não podes ir por mim aos Açores?
- Não posso. Aliás nem estou por dentro do projecto, o homem indicado és tu. Leva a Sónia e diverte-te. A miúda tem um fraco por ti.
- Não sejas parvo. Lá estás tu.
- Olha lá oh parvalhão só tu não reparas.
Este gajo tinha cada saída. A Sónia era a arquitecta mais antiga que tínhamos. Mas fora isso, mais nada sabia dela, até pensei que fosse casada. Aliás, quase tinha a certeza de que era casada.
- Engenheiro está aqui a Arquitecta Sónia.
- Mande-a entrar.
Bastaria olhar para a mão dela e procurar a aliança.
- Olá Sónia. Bom dia. Como está o projecto dos Açores.
- Quase pronto engenheiro. Ainda com muita coisa para analisar. Em especial a estrutura e as redes de esgotos domésticos e pluviais. Mas de resto está tudo praticamente decidido para mostrar aos americanos e ao Sr. Matta.
- Mandei marcar hotel para os dois para a semana com a Judite, confirme os dias e veja com o namorado ou marido se pode ir. – disse eu esperando uma resposta e tendo notado a falta da aliança.
- Não há problema, não padeço desses males.
- Que males?
- Maridos e namorados…
- Tudo bem, verifique as datas com a Judite. E faça uma impressão de tudo para eu verificar.
- Depois de almoço estarão na sala de reuniões.
- Tem compromisso para almoçar? Podíamos aproveitar a hora de almoço para ver algumas coisas.
- Tudo bem. À uma hora no estacionamento da empresa.
De facto, pouca ou nenhuma atenção dava às pessoas que me rodeavam. E muito pouco ou nada sabia deles. Da minha filha à minha empregada. Da secretária à uma arquitecta que trabalhava comigo desde o principio da empresa. Até com os meus pais, pouca ou nenhuma relação já tinha.
Recostei-me na cadeira e olhei para a minha vida. Nas mudanças dos últimos dias, e no que tinha desperdiçado. Não podia fazer nada sobre o passado. Mas para o futuro podia tentar mudar. E nada melhor que o almoço para começar.
Revi mais um monte de papéis e deixei uma série de notas para o Filipe. Ao meio-dia liguei para a extensão da Sónia e disse-lhe:
- Vamos sair já. Quero ir a um local que não vou há muito tempo.
- Cinco minutos.
- Até já.
Desci ao estacionamento e liguei o carro. Olhei pelo espelho e vi-a chegar em passo apressado.
- Vamos?
- Sim. Mas que local é esse. – questionou ela.
- Direcção Cascais. Objectivo Guincho. – respondi eu sorrindo.
- Estamos muito animados hoje. Sim senhor. Há muito tempo que não o via assim.
- Eu sei Sónia. A trabalharmos há tanto tempo juntos e não sabia nada de si. É imperdoável eu sei.
- Não tinha que saber, mera relação patrão versus empregada.
- Eu sei que dou a entender que não me apercebo do que se passa à minha volta. Mas decidi mudar. Quero dar mais valor a todas as pequenas coisas que me rodeiam.
- Estou perdida. Está a falar de quê.
- A falar que nunca dei valor às pessoas que trabalham comigo. Como a Sónia por exemplo.
- Por momentos assustou-me. Pensei que se ia declarar.
- E se fosse?
- Eu sou lésbica. Nunca reparou.
- Não. Desculpe, não tinha dado por nada.
Calei-me e fiquei sem saber o que dizer, era um tema que me deixava normalmente sem saber o que dizer. E ainda por cima dito assim. Ainda pior.
- Estava a brincar consigo. Não sou lésbica. – disse sorrindo e continuou. – Apenas me apeteceu brincar consigo, ando há anos a mostrar-lhe o meu interesse e nunca se apercebeu pois não?
- Não. Desculpa Sónia. Nunca dei conta.
- Eu sei. Tens mil coisas nessa cabeça e não dás atenção a mais nada a não ser ao trabalho, nem a ti próprio dás atenção. Mas não faz mal.
- Sinto-me isolado na empresa. Sei que sou visto como o boss e pronto. Não permito mais nada. Nem deixo ninguém aproximar-se.
- Toda a gente nota e sabe isso. O Filipe pelo contrário já as correu quase todas. Poucas devem faltar. – disse sorrindo.
- Deves faltar tu e a Judite?
- Sim, e talvez a Dona Manuela.
- Quem é essa?
- A senhora da limpeza.
- Ah. Já sei. – disse eu sem saber de facto de quem falávamos e continuei. – Mas não me vais dizer que tens andado este tempo todo à espera que te convidasse para sair?
- Queres a verdade?
- Sim, claro.
- Andei sim. Não me perguntes porquê. Houve alturas em que me fartei de ver a minha vida reduzida ao trabalho e a ver-te por escassos minutos. Mas depois descobri que era feliz assim.
- Estranha felicidade…
- Eu sei. Mas valeria a pena namorar, pensando noutra pessoa. Ou arranjar um namorado para esquecer um amor ou uma paixão?
- Tens razão. Mais vale tarde que nunca.
Nunca imaginaria esta conversa com a Sónia, muito menos com a abertura que ambos estavámos a ter. Éramos amigos, fazíamos uma grande dupla. Mas daí a estar a falar de amor com ela ia um grande passo. Um passo de facto muito grande.
Escolhido o Porto de Santa Maria, apressei-me a sair do carro para a poder olhar com atenção. Ficara curioso com aquela declaração e com toda aquela franqueza. De facto, tinha mesmo andado a dormir em relação a gente à minha volta.
Nada faláramos de trabalho. Perdêramo-nos na conversa que tinhas acabado de ter no carro e deixámos correr o resto da tarde. Rimos com alguns episódios da vida da empresa. E fiquei a conhecer a história da vida dela. Simples, dedicada e mulher de um só homem. Exactamente o que eu procurava pensei para comigo.

sábado, agosto 05, 2006

a trigésima sétima parte

Eram quase oito da noite. Deixei-a deitada na cama e vesti-me à pressa. Queria chegar a casa a horas de jantar. Entrei no carro e liguei para casa a avisar que estava quase a chegar.
Pelo caminho, recordei o dia todo. Que raio de dia. Assim ficaria velho depressa. Tinha prometido chegar cedo a casa para falar com a Ana, mas chegaria mais uma vez em cima da hora de jantar. Tinha de tirar a limpo mais coisas sobre o tal Bruno ou Nuno.
A Cláudia nada dissera o resto do dia. Nem parei para pensar nisso. Abri os portões e estacionei. Subi e chamei a Ana.
- Anita. Cheguei.
- Desço já. Só acabar os trabalhos.
Fui à cozinha seguindo o cheiro que me chegava e nem me atrevi a perguntar o que seria.
- Línguas de perguntador. – disse a Dona Madalena num ápice.
- Sim, já imaginava. – disse eu a sorrir.
- Já soube da sua aventura.
- O Filipe espalhou a toda a gente pelos vistos.
- Foi a sua mãezinha que ligou para ver como estava e que me contou.
- Não foi nada. Aliás, foi isso mesmo uma aventura.
- Chame a Ana que o comer está pronto.
Esta mulher era a minha salvação. Não questionava nada, não se metia em nada. Enfim, a esposa perfeita. Não fossem uns quilitos a mais. lol.
- Ana o comer está pronto.
- Vou já paizão.
- Vá despacha-te.
Não me tinha dado mesmo conta que tinha crescido. Que estava uma mulher. Via descer a escada e fiquei triste, um dia destes descia vestida de branco e não mais voltava. Pouco faltaria, pensei.
- O teu dia como foi?
- A stora de matemática é uma chata, vai fazer mais um teste.
- Os testes são bons. Servem para ver se vocês aprendem. E o tal rapaz como está? Estiveste com ele hoje?
- Oh pai. Ele é de Santarém. Eu disse-te que é filho de uma amiga da mãe e que vive em Santarém.
- Não tinha percebido. – disse todo contente.
- Estiveram connosco na Madeira.
- Ah. Já percebi. Ele vive em Santarém. Muito bem. Assim já me parece melhor.
- Pois. Desde que não te zangues com a conta do telemóvel. – disse ela a correr para a cozinha e a rir.
- Desconto-te na mesada. – resmunguei logo eu fingindo-me aborrecido com a conversa.
- Meninos, então comportem-se… – interrompeu a Dona Madalena.
- Meninos? Diga antes menina Ana, ou melhor Dona Ana que ela já namora. – protestei eu.
- Vá, um dia destes casam-se os dois e eu fico sozinha. – lamentou-se a Dona Madalena.
- Fique descansada, eu daqui não saio. Logo o seu lugar é eterno nesta casa.
- Oh menino, um dia entra uma senhora e tudo muda. Vai querer novas coisas, novas regras. E eu estou velha para mudar…
Continuamos naquela conversa animada até bem tarde. Era o dia em que me tornara o herói da casa. A Ana assistira a todo o relato, como se de uma telenovela se tratasse. Acabei o café já passava das dez e disse à Ana:
- Anita, cama que são horas.
- Ainda é cedo. – resmungou logo ela.
- Vá e sem refilar.
- Boa noite, Dona Madalena. Boa noite paizãooooooo.
- Boa noite princesa. – aproveitando a saída dela da cozinha, questionei a Dona Madalena. – Recentemente reparou num homem aqui a rondar a casa?
- Que eu tenha dado conta não. Sabe que com o Apollo solto poucas pessoas se atrevem a chegar ao muro da casa.
- Sim eu sei. Mas hoje, o outro fulano ameaçou a Ana também. É sinal que a viu ou nos viu. Tenha cuidado. E qualquer coisa solte o Apollo. Nunca se sabe. E depois do que lhe fiz, pode querer vingar-se.
- Fique descansado, o Apollo e o meu cutelo esperam-no. – respondeu sorrindo.
- Vou para o escritório. Até amanhã Dona Madalena. E fique descansada, por mim será sempre a Dona da casa.
- Até amanhã menino.
Entrei no escritório e liguei o computador. Vi os mails, e escusado será dizer que passados cinco minutos estava no chat.

- mensagem de menina34: olá miguel
- mensagem para menina34: olá princesa
- mensagem de menina34: estava a pensar em ti
- mensagem para menina34: ahahahahahahah
- mensagem para menina34: eu também pensava em ti
- mensagem de menina34: mentiroso
- mensagem de menina34: nem te lembraste mais de mim
- mensagem para menina34: se eu disse
- mensagem para menina34: é porque me lembrei
- mensagem para menina34: gostei de estar contigo
- mensagem para menina34: mesmo no mundo paralelo
- mensagem de menina34: lol
- mensagem para menina34: lol
- mensagem de menina34: gostaste?
- mensagem para menina34: adorei
- mensagem de menina34: repetias?
- mensagem para menina34: sim
- mensagem para menina34: repetia
- mensagem de menina34: a sério?
- mensagem para menina34: a sério
- mensagem para menina34: não me sentia tão bem à muito tempo
- mensagem para menina34: gostei de estar contigo
- mensagem para menina34: a sério
- mensagem de menina34: eu também
- mensagem de menina34: mesmo destreinada?
- mensagem para menina34: lol
- mensagem para menina34: não me apercebi
- mensagem de menina34: mas estou
- mensagem para menina34: quer dizer que isso ainda melhora?
- mensagem de menina34: não sei, experimenta e verás
- mensagem para menina34: hummmmmmmm
- mensagem para menina34: temos de repetir
- mensagem de menina34: também acho
- mensagem para menina34: lol
- mensagem de menina34: lol

- mensagem de luna69: olá
- mensagem de luna69: desaparecido
- mensagem para luna69: olá
- mensagem para luna69: não me recordo de ti
- mensagem para luna69: desculpa
- mensagem de luna69: falamos umas duas vezes
- mensagem de luna69: tens andado desaparecido
- mensagem para luna69: tive um dia complicado desculpa
- mensagem de luna69: eu também
- mensagem de luna69: umas cenas maradas aqui em casa
- mensagem para luna69: com os teus pais
- mensagem de luna69: não
- mensagem de luna69: namorados?
- mensagem para luna69: queres falar sobre isso?
- mensagem de luna69: queres ouvir?
- mensagem para luna69: sim
- mensagem de luna69: o meu ex anda na droga
- mensagem de luna69: de vez em quando vem cá a casa pedir dinheiro
- mensagem de luna69: hoje ameaçou-me que queria mais dinheiro
- mensagem de luna69: senão que me matava
- mensagem de luna69: a mim e ao meu namorado
- mensagem de luna69: e telefonei ao meu namorado para cá vir a casa
- mensagem de luna69: cenas maradas
- mensagem de luna69: esquece
- mensagem para luna69: não faz mal
- mensagem para luna69: continua tou aqui a ler
- mensagem para luna69: lol
- mensagem de luna69: lol
- mensagem de luna69: e foi isso
- mensagem de luna69: pegaram-se os dois
- mensagem de luna69: o meu namorado ia-o matando
- mensagem de luna69: uma coisa que não devia ter acontecido
- mensagem de luna69: foi um bruto
- mensagem para luna69: mas o teu ex não estava a ameaçar-te
- mensagem para luna69: e não o ameaçou
- mensagem para luna69: que querias que fizesse?
- mensagem para luna69: não achas que fez bem?
- mensagem de luna69: não, não fez
- mensagem de luna69: eu ainda o amo
- mensagem de luna69: nunca o esqueci
- mensagem de luna69: bolas
- mensagem de luna69: eu estive grávida dele
- mensagem para luna69: eu sei Cláudia

Fazia tempo que não sentia as lágrimas correrem-me pela face. Num misto de leveza e alivio. Deixei-as correr. Aquela luna69 era a minha Cláudia. Aquele amor que nunca esquecera era pelo João.
Olhei o écran e reli as últimas palavras dela. Recostei-me na cadeira e senti-me voar. As lágrimas não paravam de cair e nada fiz para as deter. Era o meu mundo paralelo a chocar com a vida real.
Levantei-me e fui ao terraço olhar a serra. Sentia-me distante. Longe demais para poder estar a sentir o que sentia. Voltei para dentro e olhei o écran.

- mensagem de luna69: como sabes o meu nome
- mensagem de luna69: diz-me
- mensagem de luna69: Miguel ?

Nada mais disse. Cliquei no ignore, e saí do chat. Desliguei o telemóvel e fui-me deitar. Chegava por hoje.
o resto da trigésima sexta

A casa da Isabel ficava em Odivelas, um T2 com jardim engraçado na frente mas cheio de carros mal estacionados. Olhei a decoração. Simples e organizada. Parecia tudo no sítio e sem coisas a mais ou a menos. Tudo na medida certa.
Olhei o computador de onde me escrevia. E sorri. A vida de hoje em dia, podia resumir-se a isso. Dois computadores em lugares distantes e remotos. E mesmo assim, conseguir viver do outro lado do écran.
- Põe-te à vontade…
- Já estou.
- Queres tomar algo?
- Não. Estou bem assim.
- Nervoso?
- Nada e tu.
- Muito. Muito mesmo.
- Porque?
- O último homem foi o meu marido e já lá vão três anos.
- Descontrai. Não dói nada. – disse sorrindo.
- É melhor estar no computador a escrever, estou mais solta, mais à vontade…
- Aqui é igual, descontrai…
- Eu sei, mas não consigo.
- Tens um lenço? Um grande?
- Sim, tira dessa gaveta.
- Façamos um jogo. – disse abrindo a gaveta. – Fecha os olhos e deixa-me tapá-los com o lenço.
- Ok.
- Vês alguma coisa?
- Não.
Passei a mão para me certificar. Mas nada estava bem vendada. Levantei-a e sentei-a no sofá maior. E entre sorrisos e mãos a voar lá conseguimos.
- Imagina o écran. Estás em frente dele. Que me dirias neste momento?
- Que te queria aqui. Junto de mim.
- É assim tão complicado? – disse para a descontrair.
- Não, continua…
- De que sentes mais falta na vida?
- De mimos, de me darem atenção, de ter alguém só para mim…
- E eu a pensar que era sexo…
- Oh, não sejas parvo. – disse sorrindo. – Disso também, mas não é o mais importante.
- Sim eu sei. Em que pensas?
- Onde vamos chegar com este jogo.
- Continuemos.
- Pergunta.
- Quem disse que eram só perguntas? Tira a blusa…
- Hum… Não sou capaz. Tira tu.
- Nada disso tira tu.
- Ok, eu tiro.
Fiquei a olhá-la, sentada de soutien coberto pelos braços cruzados. Reparei nos mamilos duros, e tentei não me excitar e dar mais piada ao jogo.
- Quantos homens tiveste até hoje?
- Acho que cinco.
- Todos com sexo?
- Com sexo foram três. – disse já corada.
- Eu vou ser o quarto?
- Se quiseres…
- Tira as calças…
Sentia de pé em frente de mim. Senti o cheiro. Senti a vontade de estar ali e de fazermos amor. Como se de um cheiro se tratasse. Descalçou-se e tirou as calças. Em frente de mim, uma bela mulher, com um fio dental vermelho e um soutien que devia ser um ou dois números abaixo, para realçar o tamanho. O tamanho que diga-se a verdade já era um 38 ou 40.
- Estás excitada?
- Estou a ficar…
- Alinhas em tudo na cama?
- Não tenho tabus.
- Conta-me uma loucura que tenhas feito…
- Sexo oral ao meu marido num elevador…
- Fizeste até ao fim?
- Sim…
- Engoliste?
- Sim…
- Outra loucura…
- Dentro de água na praia…
- Foi bom?
- Não, andei com infecção uns dias. – disse sorrindo.
- Porque não tiveste mais ninguém neste tempo todo?
- Teria sido só sexo… não me agrada assim…
- E agora não vai ser só sexo?
- Vai. Mas gosto de ti. Será diferente…
- Tira o soutien…
- Não queres tirar tu?
- Não.
Notei então os mamilos duros. O peito apontado a mim, quase a implorar que a levasse para o quarto. Mas continuei. Estava a gostar. Aquela calma. Aquele à vontade excitava-me imenso. Adorava aquela visão que tinha dela naquele momento.
- Algo que nunca fizeste e que adorasses fazer?
- Sexo a três…
- Fazias?
- Acho que sim…
- Mais uma mulher ou mais um homem?
- Tanto fazia…
- Hum… mais excitada?
- Sim. Muito e tu?
- Surpresa. Tira o fio dental…
- Vem tirar tu…
- Nada disso tira e masturba-te para te ver. Quero ver-te assim.
Sem dar conta, entrava no mundo paralelo. Nada me prendia aquela mulher, podia sair, fugir que nada sabia de mim. Tinha o meu numero e pouco mais. Não sabia mesmo nada de mim. Recordei as frases que me dissera na outra noite. As mulheres perdidas, que entravam em todos os jogos e fiquei a olhar para ela. Completamente absorvida no meu jogo. Deitei-a. Beijei-a e disse-lhe ao ouvido: És louca princesa.
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