the end
Cheguei ao aeroporto pouco depois das cinco. Já a tinha à minha espera com um senhor que não conhecia. Via despedir-se e pensei que era o pai.
- Bom dia arquitecta…
- Bom dia engenheiro. O meu pai.
- Prazer. – disse cumprimentando.
- Prazer, tome conta dela…
- Fique descansado.
Tomarei muito bem. Nunca tive tanta vontade de o fazer, pensei para comigo. Quase me apeteceu abraçar o homem e dar-lhe um beijo.
- Vamos. Temos de ir ver a porta…
- Sim vamos…
Despediu-se de novo do pai e segui-me. Sentia um enorme formigueiro, vontade de a beijar logo ali. Mas, aguentei. Queria ver o choque dos meus mundos.
Fizemos o check in e fomos tomar café. Conversa banal. Como sempre trabalho e mais trabalho. Raio da rapariga só via trabalho. Ainda nada fizéramos e já estava cansado.
- Quando lá chegarmos veremos, descansa agora essa cabecinha.
- Ok. Ok. Só queria rever parte da reunião.
- Até lá descansa…
- Não consigo.
- Eu sei. Mas tenta, nada de stress.
Sentia o formigueiro aumentar e abri uma revista que entretanto alguém deixara em cima de uma cadeira.
Passados uns minutos chamaram o nosso voo e lá fomos, deixei-a seguir à frente e fui seguindo os seus passos. Na minha cabeça passavam e corriam mil ideias. Mas tentei manter-me calmo. O mais calmo possível.
Sentámo-nos na classe executiva, olhei em volta e éramos só nós que ali íamos. Sorri e pensei que sorte a nossa se ela seguir os conselhos do Génio da Lâmpada. Estava ansioso e senti-a também ansiosa. Era estranho. Senti-me com vontade de mandar tudo ao ar e beijá-la logo ali. Mas aguentei e partimos. Detestava esta sensação de não ter nada por baixo dos pés, mas não há-de ser nada.
Senti a mão dela e não quis acreditar. Não me consegui mexer. Não consegui sequer dizer uma palavra. Não saiu nada. Senti-a fazer-me um carinho, deixei estar a mão dela em cima da minha. Aproveitei aqueles segundos, como se matasse a sede.
Despertei deste ultimo ano de vida quando a senti tirar a mão de cima da minha. Recordara tudo. Como se naquele instante passasse um filme de horas, meses, num só minuto. Numa só fracção de tempo.
Era esta miúda que queria. Que na verdade amava. Sem nunca ter dado conta, sem nunca me ter apercebido que o amor estava ali tão perto.
- Podes por a mão o tempo que quiseres..
- Posso?
- Podes.
- Acreditas em magia?
- Como assim?
- Sei lá. Nos génios que existem dentro das lâmpadas?
- Porque perguntas?
- Nada esquece…
Era ela a minha princesa. Olhei-a nos olhos e perguntei-lhe.
- Queres casar comigo?
- Quero.
- Três filhos. Está bem para ti?
- Não. Três e a Ana. Achas bem?
Nem respondi. Dei-lhe a mão e sorri. Virámos o rosto e beijámo-nos.
- Bom dia arquitecta…
- Bom dia engenheiro. O meu pai.
- Prazer. – disse cumprimentando.
- Prazer, tome conta dela…
- Fique descansado.
Tomarei muito bem. Nunca tive tanta vontade de o fazer, pensei para comigo. Quase me apeteceu abraçar o homem e dar-lhe um beijo.
- Vamos. Temos de ir ver a porta…
- Sim vamos…
Despediu-se de novo do pai e segui-me. Sentia um enorme formigueiro, vontade de a beijar logo ali. Mas, aguentei. Queria ver o choque dos meus mundos.
Fizemos o check in e fomos tomar café. Conversa banal. Como sempre trabalho e mais trabalho. Raio da rapariga só via trabalho. Ainda nada fizéramos e já estava cansado.
- Quando lá chegarmos veremos, descansa agora essa cabecinha.
- Ok. Ok. Só queria rever parte da reunião.
- Até lá descansa…
- Não consigo.
- Eu sei. Mas tenta, nada de stress.
Sentia o formigueiro aumentar e abri uma revista que entretanto alguém deixara em cima de uma cadeira.
Passados uns minutos chamaram o nosso voo e lá fomos, deixei-a seguir à frente e fui seguindo os seus passos. Na minha cabeça passavam e corriam mil ideias. Mas tentei manter-me calmo. O mais calmo possível.
Sentámo-nos na classe executiva, olhei em volta e éramos só nós que ali íamos. Sorri e pensei que sorte a nossa se ela seguir os conselhos do Génio da Lâmpada. Estava ansioso e senti-a também ansiosa. Era estranho. Senti-me com vontade de mandar tudo ao ar e beijá-la logo ali. Mas aguentei e partimos. Detestava esta sensação de não ter nada por baixo dos pés, mas não há-de ser nada.
Senti a mão dela e não quis acreditar. Não me consegui mexer. Não consegui sequer dizer uma palavra. Não saiu nada. Senti-a fazer-me um carinho, deixei estar a mão dela em cima da minha. Aproveitei aqueles segundos, como se matasse a sede.
Despertei deste ultimo ano de vida quando a senti tirar a mão de cima da minha. Recordara tudo. Como se naquele instante passasse um filme de horas, meses, num só minuto. Numa só fracção de tempo.
Era esta miúda que queria. Que na verdade amava. Sem nunca ter dado conta, sem nunca me ter apercebido que o amor estava ali tão perto.
- Podes por a mão o tempo que quiseres..
- Posso?
- Podes.
- Acreditas em magia?
- Como assim?
- Sei lá. Nos génios que existem dentro das lâmpadas?
- Porque perguntas?
- Nada esquece…
Era ela a minha princesa. Olhei-a nos olhos e perguntei-lhe.
- Queres casar comigo?
- Quero.
- Três filhos. Está bem para ti?
- Não. Três e a Ana. Achas bem?
Nem respondi. Dei-lhe a mão e sorri. Virámos o rosto e beijámo-nos.

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