décima terceira parte
Entrei no hotel, reservei um quarto e enviei-lhe uma mensagem. Meio perdido, só ali me dera conta da loucura em que me estava a meter. Mais uma menos uma. Que se lixe.
”cheguei quarto 205”
Olhei a porta e nada, não deveria ter tido tempo ainda de chegar. Sentia-me estranho. Perdido e inseguro, que parvoíce. Tinha sido parvo. Claro que não apareceria. Ás duas da manha. Duas quase três. Já eram três. Estremeci com o toque da mensagem. Tinha resposta. Ao menos isso.
”5 minutos podes subir vou estacionar”
Boa. Afinal a loucura era completa. Havia ainda alguém pior que eu. Senti-me pequenino, de novo perdido. Num ápice senti-me em queda. Num túnel meu conhecido. A regredir no tempo. Com a criação do mundo em frente dos olhos. E como medo de me sair um monstro.
Subi ao quarto. E nunca vivera cinco minutos tão demorados. Com tanta ansiedade. Sentara-me na cama, no sofá, de novo na cama e de novo no sofá. Abri o cortinado e olhei a baia. O mar ali tão perto e respirei fundo.
Não sabia nada dela, mas bem vistas as coisas, ela também não sabia nada de mim. Tentei recapitular, mas com tantas conversas não fixara nada. Agora sim ia ser giro. Apagara-se-me tudo sobre ela. Fechei os olhos mas nada. Estava perdido. Esquecera mesmo tudo. lol.
O bater da porta deixou-me nervoso. Meio assustado. Passei a mão no bolso, certifiquei-me dos preservativos e abri a porta.
- Olá…
- Olá…
- Somos doidos…
- Sim eu sei… – disse ela muito nervosa.
- Estás nervosa ? – perguntei antevendo o que me diria.
- Sim estou, muito mesmo.
- Porque ?
- É a minha primeira vez. Não sou como te dei a entender no chat.
- Entra, vamo-nos sentar junto da janela.
Deixei-a passar entre mim e a parede. Senti-lhe o cheiro do perfume recente misturado com um duche também tomado à pressa e senti-me mais calmo. Olhei-a de costas e senti-me agradado. Muito agradado.
- Diz-me uma coisa. Como te chamas ?
- Rute e tu ?
- Miguel. Nem isso sabíamos um do outro.
- Pois não. Não penses mal de mim Miguel.
- Não pensei nem estou a pensar.
- A minha vida depois da separação tem sido complicada, com toda a gente contra mim…
- Toda quem ?
- Os meus pais, irmão e amigos…
- Porque ?
- Porque não aceitei o João de volta. Apanhei-o com a minha melhor amiga. E todos acham que o deveria aceitar de volta.
- Cada um sabe de si, mas acho que fizeste bem. Ou estás arrependida ?
- Não, não estou. Mas preferi afastar-me de toda a gente. E esta solidão tem dado cabo de mim. Entendes ?
- Sim entendo. Mais calma ?
- Sim, mais calma. Desculpa esta loucura. Somos doidos e nem nos conhecemos.
- Pois, nem nos conhecemos.
Sem perceber porquê sentia-me atraído. A Rute sem ser muito bonita ou sensual. Tinha como os meus amigos diziam uma grande embalagem. Era sensível, inteligente, sabia conversar e parecia ser meiga. Muito meiga.
Cada um sabe de si. E no meio de tudo isto, acredita que entendo essa solidão.
- Fiquei sozinha, percebes ?
- Percebo. Não penses nisso. Para ficares triste não vínhamos.
- Desculpa, estou a chatear-te.
- Não. Não estás, só não te quero triste. Vá um sorriso.
O sorriso apareceu vindo do nada. Como se o nervosismo se derretesse e tivesse nascido daí um pequeno e doce sorriso. Puxei-a para mim e passei-lhe o braço por cima. Apertei-a. Vindo não sei bem de onde, senti vontade de a apertar. De lhe dar algo de mim. Brincámos com os reflexos de sol que apareceram sobre a baia e ficámos juntos.
Meio adormecidos. Meio acordados. Como se uma droga fosse esta estranha ligação. A noite tinha sido cheia de emoções. E ambos mantínhamos aquele estado de excitação que não deixava adormecer.
Virei-a de frente e vindo do nada beijei-a. Sem resistência beijou-me. Era droga. Só podia mesmo ser droga. A roupa saiu a voar, não sei bem para onde. E só mesmo os preservativos pararam na mesa-de-cabeceira.
Sentia-me feliz, por sentir o corpo dela. Sentia-a inibida. Mas ao mesmo tempo feliz como eu. Estava a adorar aquele sorriso. E fomo-nos perdendo em beijos. Sem pressas fomos descobrindo tudo. Mesmo tudo. Estendi a mão, apalpei a mesa, abri a caixa e senti a mão dela tirarmos da minha. Com todo o cuidado abriu um e tirou a roupa de cima de nós. Senti as mãos quentes, o preservativo apertado. E uma voz rouca a dizer: Come-me toda.
Entrei no hotel, reservei um quarto e enviei-lhe uma mensagem. Meio perdido, só ali me dera conta da loucura em que me estava a meter. Mais uma menos uma. Que se lixe.
”cheguei quarto 205”
Olhei a porta e nada, não deveria ter tido tempo ainda de chegar. Sentia-me estranho. Perdido e inseguro, que parvoíce. Tinha sido parvo. Claro que não apareceria. Ás duas da manha. Duas quase três. Já eram três. Estremeci com o toque da mensagem. Tinha resposta. Ao menos isso.
”5 minutos podes subir vou estacionar”
Boa. Afinal a loucura era completa. Havia ainda alguém pior que eu. Senti-me pequenino, de novo perdido. Num ápice senti-me em queda. Num túnel meu conhecido. A regredir no tempo. Com a criação do mundo em frente dos olhos. E como medo de me sair um monstro.
Subi ao quarto. E nunca vivera cinco minutos tão demorados. Com tanta ansiedade. Sentara-me na cama, no sofá, de novo na cama e de novo no sofá. Abri o cortinado e olhei a baia. O mar ali tão perto e respirei fundo.
Não sabia nada dela, mas bem vistas as coisas, ela também não sabia nada de mim. Tentei recapitular, mas com tantas conversas não fixara nada. Agora sim ia ser giro. Apagara-se-me tudo sobre ela. Fechei os olhos mas nada. Estava perdido. Esquecera mesmo tudo. lol.
O bater da porta deixou-me nervoso. Meio assustado. Passei a mão no bolso, certifiquei-me dos preservativos e abri a porta.
- Olá…
- Olá…
- Somos doidos…
- Sim eu sei… – disse ela muito nervosa.
- Estás nervosa ? – perguntei antevendo o que me diria.
- Sim estou, muito mesmo.
- Porque ?
- É a minha primeira vez. Não sou como te dei a entender no chat.
- Entra, vamo-nos sentar junto da janela.
Deixei-a passar entre mim e a parede. Senti-lhe o cheiro do perfume recente misturado com um duche também tomado à pressa e senti-me mais calmo. Olhei-a de costas e senti-me agradado. Muito agradado.
- Diz-me uma coisa. Como te chamas ?
- Rute e tu ?
- Miguel. Nem isso sabíamos um do outro.
- Pois não. Não penses mal de mim Miguel.
- Não pensei nem estou a pensar.
- A minha vida depois da separação tem sido complicada, com toda a gente contra mim…
- Toda quem ?
- Os meus pais, irmão e amigos…
- Porque ?
- Porque não aceitei o João de volta. Apanhei-o com a minha melhor amiga. E todos acham que o deveria aceitar de volta.
- Cada um sabe de si, mas acho que fizeste bem. Ou estás arrependida ?
- Não, não estou. Mas preferi afastar-me de toda a gente. E esta solidão tem dado cabo de mim. Entendes ?
- Sim entendo. Mais calma ?
- Sim, mais calma. Desculpa esta loucura. Somos doidos e nem nos conhecemos.
- Pois, nem nos conhecemos.
Sem perceber porquê sentia-me atraído. A Rute sem ser muito bonita ou sensual. Tinha como os meus amigos diziam uma grande embalagem. Era sensível, inteligente, sabia conversar e parecia ser meiga. Muito meiga.
Cada um sabe de si. E no meio de tudo isto, acredita que entendo essa solidão.
- Fiquei sozinha, percebes ?
- Percebo. Não penses nisso. Para ficares triste não vínhamos.
- Desculpa, estou a chatear-te.
- Não. Não estás, só não te quero triste. Vá um sorriso.
O sorriso apareceu vindo do nada. Como se o nervosismo se derretesse e tivesse nascido daí um pequeno e doce sorriso. Puxei-a para mim e passei-lhe o braço por cima. Apertei-a. Vindo não sei bem de onde, senti vontade de a apertar. De lhe dar algo de mim. Brincámos com os reflexos de sol que apareceram sobre a baia e ficámos juntos.
Meio adormecidos. Meio acordados. Como se uma droga fosse esta estranha ligação. A noite tinha sido cheia de emoções. E ambos mantínhamos aquele estado de excitação que não deixava adormecer.
Virei-a de frente e vindo do nada beijei-a. Sem resistência beijou-me. Era droga. Só podia mesmo ser droga. A roupa saiu a voar, não sei bem para onde. E só mesmo os preservativos pararam na mesa-de-cabeceira.
Sentia-me feliz, por sentir o corpo dela. Sentia-a inibida. Mas ao mesmo tempo feliz como eu. Estava a adorar aquele sorriso. E fomo-nos perdendo em beijos. Sem pressas fomos descobrindo tudo. Mesmo tudo. Estendi a mão, apalpei a mesa, abri a caixa e senti a mão dela tirarmos da minha. Com todo o cuidado abriu um e tirou a roupa de cima de nós. Senti as mãos quentes, o preservativo apertado. E uma voz rouca a dizer: Come-me toda.

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