sexta-feira, julho 07, 2006

quarta parte

Acordei a sentir-me parvo mesmo. Aquela fugaz conversa, não me saía da cabeça. Não tinha feito nada. Limitara-me a responder e tinha sido mal tratado. Que idiotice. Bem, também não era motivo para estar assim tão chateado. Mas fiquei pensativo e ainda equacionei ir ligar o computador, mas o toque do telemóvel impediu-me.
- Touuuuuuuuu...
- Sim, diz Filipe...
- Queres ir jogar ténis?
- Estou a dormir Filipe... – disse na esperança de ele desligar.
- Deixa-te disso. Estou com a Cláudia e a Isabel e falta-nos um jogador.
- Quem são essas Filipe...
- As miúdas de ontem, vá anda, levanta-te, estamos à tua porta...
Porra, este gajo conhece-me bem. Levantei-me a correr ia-me matando na casa de banho, mas em cinco minutos estava à porta. Apresentações feitas percebi que ficava com a Cláudia, a Isabel estava no banco da frente, e era a mais bonita. Sobravam para mim os restos da guerra.
Não havia de ser nada. Apenas um jogo de ténis. Nada demais. Como sempre o Filipe animava o cortejo, fosse onde fosse e com quem fosse, tinha um feitio extraordinário para animar. Sorri e pensei para mim, gostava de ter com esse ar no meu funeral.
- Cláudia sabes que o teu parceiro é um grande jogador... – disse ele no gozo.
- Não. Mas se for a jogar como é calado, temos de pagar o almoço.
- Aí temos aposta? – disse eu, a tentar perceber onde estava metido.
- Temos sim. Sabes que adoro uma boa aposta, nada como ganhar ao meu irmão preferido.
- Ok Filipe. Prepara-te. A vingança serve-se com lagosta.
- Não combinámos lagosta. – disse a Cláudia assustada. Apenas um jantar nas Docas.
- Não te preocupes. Os homens pagam. – Disse o Filipe com ar triunfante.
- Nada disso. O combinado é quem perder paga. Mas ninguém falou em lagosta. Nem que seriam só os homens a pagar.
A conversa animou. E aquela ultima frase da Cláudia, deixara-me agradado. Dei-lhe mais atenção e passada uma hora já sabia a vida dela quase toda. Era de Castelo Branco, trabalhava num banco e tirava Economia de noite, vivia com a Isabel, mas já ia no terceiro ano, enquanto a amiga, não completara o primeiro. Não namorava, saíra a custo para a amiga não ir sozinha e disse-me adorar Lisboa.
Pelo meio do jogo trocámos olhares, mas os seus vinte e três anos, intimidavam-me. Ao contrário, o Filipe, festejava cada ponto com um beijo, nada preocupado com o facto de a Isabel ter vinte e dois anos.
Como seria de esperar, a vitória não me escapou, mas percebi alguns falhanços propositados do Filipe, que iria passar o jantar a lamentar-se e a convencer a nova namorada que só uma grande noite de sexo o animaria...
- Bem, quando combinamos o jantar? – perguntei eu para desconsolar mais o Filipe.
- Ou querem antes almoço. – continuou a Cláudia, aproveitando a minha deixa. Eu hoje tenho de estudar à noite e amanha é dia de trabalho.
- Olha, olha, os manos catatua, ganharam e ainda refilam, combinámos jantar e é hoje. – retorquiu o Filipe. Quem não quer não vai
- A Cláudia tem razão, tenho de ir para casa, a Ana ficou sozinha, e tenho de descansar. Combinamos para outro dia.
- Boa. Telefona para a tua Maria e almoçamos em tua casa. – voltou à carga o Filipe.
Não me ia safar de mais uma confusão. Mas tinha de descansar e lá insisti em ter deixado a Ana sozinha e no facto de ter de descansar. A Cláudia insistiu também na necessidade de estudar, e lá consegui ser levado a casa.
Fiquei com o número da nova amiga, e com o piscar de olho que o não deveria utilizar indevidamente. Sorri e pensei para mim nos seus 23 anos, na forma como me intimidavam e no muro que me habituara a criar para afastar as mulheres de mim. Sexo sem prisões tinha passado a ser o meu lema. Sem prisões e sem obrigações. E cheirava-me que a Cláudia seria mulher de compromissos, de grandes relacionamentos e até de casar. Tudo conceitos que estava a rejeitar de momento.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

não há mais ?...

sexta-feira, 07 julho, 2006  
Anonymous Anónimo said...

continua, um beijinho......
claudia...........

sexta-feira, 07 julho, 2006  

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