sexta-feira, julho 07, 2006


sétima parte

Detestava a sensação de não ter resposta para uma série de dúvidas. Existenciais ou não, sentia-me explodir tantas vezes, com vontade de entrar num poço sem fim. Entrar de cabeça e sentir os olhos entrarem num vasta imensidão de nada. Mas afinal quem criou o mundo. Porque viemos aqui parar? De onde viemos? Sim. Afinal alguém me sabe dizer de onde viemos ?
Imaginem comigo. Nada do que conhecemos existe. Tudo desapareceu ou nunca existiu. Antes disso algo devia ter existido. Ou era um vazio. Uma queda vertical num poço sem fim, de tamanha imensidão que nos perdemos na queda.
Afinal imaginar o mundo, o nosso planeta com limites, quadrado, não será assim tão louco e desajustado. Alguém sabe onde paira o escuro que vemos no céu. Onde começou. Onde termina. Mas alguém sabe? Helloooooooooooo? Help meeeeeee…
Sim, sem dúvida que as minhas hormonas andam loucas, se não, que se passa…? Poderia um simples telefonema alterar a minha vida. Parei, respirei fundo… Caça? Campeonato? Lide?...
Calma, toca a respirar fundo, que se passa? No Filipe é normal em mim não. Eu não sou assim, nunca fui, não vou ser agora. Merda. Merda. Merda.
- Filipe esquece o jantar, tenho uma reunião…
- Nem pensar, está tudo combinado e elas já confirmaram… As duas confirmadinhas.
- Eh pá, não posso, esqueci-me de uma reunião importante…
- Juditeeeeeeeeeeeeeeee, desmarque a reunião de logo do engenheiro!
- Não desmarque nada Judite, esses clientes são importantes.
- O senhor engenheiro tem razão, estes homens do norte detestam desmarcações à última da hora. – Confirmou a Judite, percebendo que me queria desmarcar do Filipe.
- Ok, ok, ok, vocês estão sempre combinados, esquece o jantar.
A Judite conhecia-me bem, percebera que por alguma razão não me apetecia ir jantar e como sempre mostrara-se eficientíssima. Mesmo como eu gosto.
Recordava a sensação do poço profundo, na imensidão do nada e recordava as palavras do Filipe: Estavam confirmadinhas…??? Mas afinal que raio fora aquele telefonema, para eu não ir e confirmava. Ali havia esquema e do grande.

Que se lixe, estou livre e nem quero saber de mais nada. Fico-me nas minhas viagens poçais e numa imensidão de nada. Ainda bem que a minha mãe só teve um rapaz, dois deviam acabar com o planeta terra.
Despertei da queda com um toque estranho no telemóvel. Que raio foi isto. Uma mensagem escrita ??? Raios e coriscos, esta é nova.
”eskecido de amanha ? ou ta tudo ok ? menina34”
Boa. Livro-me de uma e aparece outra. O telemóvel novo e a sensação de nunca ter respondido a uma mensagem, quase me afastara de responder, mas vindo do nada lá respondi.
”lol. claro que não. tudo combinado. sempre vais ? ”
Sentia-me um miúdo, num ápice tudo mudava, o chão fugia debaixo dos pés e nada fazia, não era normal, ansiava a resposta e queria que recusasse a minha confirmação. MAS a resposta lá veio, num tímido sim, ou num lânguido e aterrador sim.
Perdia-me em mais uma segunda-feira. Diferente de todas as outras. Esta sim estava a ser única. Mas valia a pena. O sentimento de queda invertido fazia-me rir e estava a esquecer-me de tudo. Calma. Respira. Trabalha.
- Juditeeeeeeeeee, o meu café.
- Um momento senhor engenheiro…
O meu tom de voz mais alto despertava-me. Eu não sou assim. Calma. Respira. Isto passa. Mais gaja, menos gaja, a vida continua.
- O senhor engenheiro está bem?
- Sim, a Judite desculpe, foi apenas uma vontade enorme de café, e já agora obrigado pela ajuda de há bocado.
- Ora essa, sempre às ordens.
- Tenho umas coisas para rever, apenas isso e não me apeteceu perder a noite de segunda-feira. Obrigado mais uma vez.
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