quinta-feira, julho 13, 2006


décima sexta parte

Acordei com uma sensação estranha. A cama estava molhada. Mas que raio. Meio perdido, apalpei em redor e sobressaltado senti o corpo dela. Não acordou ao meu toque, e rodei para ela para me enroscar. A cama estava molhada de nós, da transpiração e aparentemente de algo mais. Mas nem me mexi. Enrosquei-me e deixei-me ficar.
Algo me fechava os olhos, pensei ser o cansaço e deixei-me ir. Dormitei, levemente mas com a sensação que algo estava errado. E estava mesmo.
Foda-se, não usáramos preservativo. Merda. Merda. Merda. Mas que raio. Era este tipo de coisas que me lixavam. E agora ? Merda. Merda. Merda. Que se lixe, dorme e pensas nisso depois. Não há-de ser nada. E se for que seja mais uma menina.
Sentia-me inquieto, estranho. Precipitava cenários uns atrás dos outros e nem dei conta que a Cláudia acordara.
- Bom dia Miguel.
- Bom dia Cláudia.
- Somos loucos. – disse sorrindo e encostando-se ao meu peito.
- Loucos, acho que somos mais que isso. Muito mais que isso.
- Sim, eu sei. – disse ela enrolando os cabelos do meu peito.
- E estás assim calma como se não fosse nada…???
- Se for que seja uma menina. – disse sorrindo.
Merda. Merda. Merda. Mas que raio. Agora é que a fizera bonita. Sim senhor. Este tipo de acontecimentos que saem do meu controle deixam-me inseguro. E estava inseguro, à beira de um ataque de ansiedade. No pior dos cenários possível.
- Fica descansado que tomo a pílula. – disse continuando a tecer algo no meu peito. – Podes descansar este coração. E não insisti para usares preservativo porque pensei que a tua resposta ao meu pedido foi verdadeira. Logo se namorávamos, não fazia sentido usares preservativo, tomando eu a pílula. Capisce meu príncipe.
- Não era bem isso. – disse eu meio atrapalhado.
- Era sim, mas tás desculpado. Não penses que quero entrar na tua vida assim. Quero-te por aquilo que és. Não pelo que tens. Se nada tivesses era igual. Conta o que sinto por ti. E fica descansado, que o que acontecer temos de querer e desejar os dois.
- Desculpa, de facto pensei mal.
- Eu sei. Senti este coração prestes a explodir.
- Fui idiota eu sei. Mas neste capítulo, fazia muito tempo que não tinha ninguém. E estava inseguro.
- Sim notei que estavas algo enferrujado. – disse, deixando o meu peito e mordendo o meu pescoço.
- Enferrujado ? Achas ? Se o dizes acredito. Mas olha que vai melhorar muito.
- Ai sim. Então que tal agora. Mais um treinozito.
Quase me descuidara e quase dissera o que acontecera na noite anterior, mas fiquei-me pelo enferrujado e continuei o treino. Mais empenhado que nunca. Mais descontraído que alguns momentos antes.

Senti-me cair passados uns minutos de costas na cama. De costas e pernas molhadas. Todo encharcado. Falemos verdade, nunca tinha transpirado tanto. Esta miúda vai dar cabo de mim. As mãos dela em cima do meu peito a puxarem-me, quase me assustavam. Quase me faziam fugir. Outra vez ? Mais uma vez ? Mas que raio a miúda é mesmo de ferro ou está a fingir.
Tirem-me daqui. Tirem-me deste filme. Já não aguento mais. Até já os meus dentes transpiram. Estou encharcado. Molhado. Tou a ser violado. Socorro.
- Vou tomar banho. Queres vir ?
- Boa ideia, vamos continuar na banheira. – disse ela ofegante.
- Nada disso, falei em tomar banho. Aquela coisa que fazemos de manha. Sabes ? Capisce ? – disse eu a sorrir.
- Sim, vá vai lá. Estás a sair melhor que a encomenda.
Nem pensei duas vezes, saí, liguei a água e meti-me debaixo dela. Quente, meiga, como uma velha conhecida. Sem saber porquê sorri. Será que esta também vai embora.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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sexta-feira, 11 agosto, 2006  
Anonymous Anónimo said...

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quarta-feira, 16 agosto, 2006  

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