décima oitava parte
- Enfim sós. – suspirou a Cláudia com um sorriso.
- Sim, finalmente sós.
- Alguma ideia ? – perguntou-me ela com aquele ar insaciável de sexo.
- Sim, apetece-me sexooooooooooooooooooooooooooo… - disse eu levantando a voz e dando um ar de louco à minha expressão.
- Hum, e nada mais ?
- Vamos para o terraço ver a serra, queres ?
- Gosto da ideia. Podemos usar aquela cama de rede ?
- Claro que podemos. Aguenta com os dois. Boa, era mesmo isso que me apetecia. – disse correndo para o terraço.
A serra estava na mesma, esta fase da Primavera, ora trazia dias de nevoeiro, ora tinha dias de céu lindo e que cheiravam a verão. Seria de mim, mas cheirava a verão. Olhei o jardim, a piscina ainda coberta, e algumas tulipas a começarem a abrir.
- Falavas sério ? Não vamos esconder nada um ao outro? – perguntou ela olhando a serra.
- Falava. Ou preferes que assim não seja ?
- Prefiro. Aliás adoro que assim seja Miguel.
- Sabes Cláudia, para mim não faria sentido de outra maneira. Temos alturas ou se preferires momentos na vida, em que há coisas que são imprescindíveis. A confiança, a lealdade, a amizade para mim serão isso mesmo. Sempre imprescindíveis.
- Posso fazer-te uma pergunta Miguel.
- Claro tontinha, podes fazer todas.
- Divorciaste-te porquê ? – perguntou-o meio nervosa.
- A mãe da Ana quis ir tirar um mestrado a Inglaterra, no primeiro ano foi fácil e até foi giro, com as viagens para cá e para lá. No segundo ano, tudo mudou. Comecei a sentir a falta dela, e acredito que ela também de mim. Mas a distancia complicou tudo. Um dia disse-me que andava confusa em relação a nós. E uma coisa levou a outra. Nesse mesmo ano acabámos por nos divorciar.
- Casaste cedo, não foi ?
- Casar não. Mas a Ana nasceu relativamente cedo. Só dois anos depois casámos, mas já vivíamos juntos à 3 anos. Ela veio de fora de Lisboa estudar, tinha uma casa só para ela. E no último ano dos nossos cursos, fomos viver juntos. Mais perguntas ? – disse-lhe sorrindo.
- Posso fazer todas ? Mesmo todas ?
- Sim já te disse que sim.
- E não te ris ?
- Não diz lá.
- O que mais te agrada em mim ?
Naquele momento, abracei-a forte, como à muito tempo não fazia a alguém. Consegui estar feliz e sentir um misto de medo e tristeza.
- Fazes-me bem. Estás a fazer-me bem. E isso para mim é importante. Muito importante.
- Sabes, achava-te muito fechado. Sombrio. Muito dono de ti percebes ?
- Acho que toda a gente pensa isso de mim. Depois do divórcio as coisas foram complicadas. Não sei se passei por uma depressão, mas deve ter sido algo do género. Sem nenhuma razão, passei a ter medo da morte, de me acontecer algo e a Ana ficar sozinha, parvoíces desse tipo…
- Continua…
- Foi isso. Talvez tristeza, medo, angustia… Passei a ficar triste por coisas parvas e que não faziam sentido nenhum.
- Que coisas parvas ?
- Não te ris ?
- Claro que não tontinho.
- Começou a afectar-me por exemplo a criação da vida.
- Como assim ?
- Sei lá, saber de onde tudo isto veio, como começou a vida no nosso planeta. E antes de tudo isto que existe existir, o que existia…
- Não percebo…
- Imagina o momento da criação da vida como a conhecemos e concebemos…
- Sim…
- Imagina agora o que existiria antes disso. Algo teria de existir. E muito antes disso, algo mais teria de existir… É esse vazio de nada, como se no princípio algo tivesse que existir que me assusta. Às vezes dou comigo a voltar atrás no tempo e a esbater num vazio enorme que me assusta. Que não me dá respostas…
- Já tinha reparado que gostas de ter respostas para tudo. – disse na tentativa de me responder.
- Sim eu sei. A nossa cabeça, o nosso subconsciente é algo que não conseguimos dominar, nem controlar.
- E mais coisas te assustam Miguel.
- Sei lá. Coisas doidas e sem sentido…
- Conta-me quero saber…
- Coisas parvas. Provavelmente devo andar hipocondríaco. Ou então deve ser da idade. Tenho medo que me dê uma dessas vulgares doenças e me leve desta para melhor, e que passe a ser mais um numero que entra numa taxa qualquer de mortalidade.
- É certo que todos temos de morrer. Mas essa não deve ser a nossa maior preocupação. – passou a mão pela minha cabeça e continuou. – Ser feliz, estarmos bem connosco próprios, atingir os nossos objectivos na vida, um após outro. Para isso mesmo, sermos felizes.
- Eu sei princesa. Mas que queres. Este é o Miguel que não conhecias. Que provavelmente ninguém conhecia.
- Enfim sós. – suspirou a Cláudia com um sorriso.
- Sim, finalmente sós.
- Alguma ideia ? – perguntou-me ela com aquele ar insaciável de sexo.
- Sim, apetece-me sexooooooooooooooooooooooooooo… - disse eu levantando a voz e dando um ar de louco à minha expressão.
- Hum, e nada mais ?
- Vamos para o terraço ver a serra, queres ?
- Gosto da ideia. Podemos usar aquela cama de rede ?
- Claro que podemos. Aguenta com os dois. Boa, era mesmo isso que me apetecia. – disse correndo para o terraço.
A serra estava na mesma, esta fase da Primavera, ora trazia dias de nevoeiro, ora tinha dias de céu lindo e que cheiravam a verão. Seria de mim, mas cheirava a verão. Olhei o jardim, a piscina ainda coberta, e algumas tulipas a começarem a abrir.
- Falavas sério ? Não vamos esconder nada um ao outro? – perguntou ela olhando a serra.
- Falava. Ou preferes que assim não seja ?
- Prefiro. Aliás adoro que assim seja Miguel.
- Sabes Cláudia, para mim não faria sentido de outra maneira. Temos alturas ou se preferires momentos na vida, em que há coisas que são imprescindíveis. A confiança, a lealdade, a amizade para mim serão isso mesmo. Sempre imprescindíveis.
- Posso fazer-te uma pergunta Miguel.
- Claro tontinha, podes fazer todas.
- Divorciaste-te porquê ? – perguntou-o meio nervosa.
- A mãe da Ana quis ir tirar um mestrado a Inglaterra, no primeiro ano foi fácil e até foi giro, com as viagens para cá e para lá. No segundo ano, tudo mudou. Comecei a sentir a falta dela, e acredito que ela também de mim. Mas a distancia complicou tudo. Um dia disse-me que andava confusa em relação a nós. E uma coisa levou a outra. Nesse mesmo ano acabámos por nos divorciar.
- Casaste cedo, não foi ?
- Casar não. Mas a Ana nasceu relativamente cedo. Só dois anos depois casámos, mas já vivíamos juntos à 3 anos. Ela veio de fora de Lisboa estudar, tinha uma casa só para ela. E no último ano dos nossos cursos, fomos viver juntos. Mais perguntas ? – disse-lhe sorrindo.
- Posso fazer todas ? Mesmo todas ?
- Sim já te disse que sim.
- E não te ris ?
- Não diz lá.
- O que mais te agrada em mim ?
Naquele momento, abracei-a forte, como à muito tempo não fazia a alguém. Consegui estar feliz e sentir um misto de medo e tristeza.
- Fazes-me bem. Estás a fazer-me bem. E isso para mim é importante. Muito importante.
- Sabes, achava-te muito fechado. Sombrio. Muito dono de ti percebes ?
- Acho que toda a gente pensa isso de mim. Depois do divórcio as coisas foram complicadas. Não sei se passei por uma depressão, mas deve ter sido algo do género. Sem nenhuma razão, passei a ter medo da morte, de me acontecer algo e a Ana ficar sozinha, parvoíces desse tipo…
- Continua…
- Foi isso. Talvez tristeza, medo, angustia… Passei a ficar triste por coisas parvas e que não faziam sentido nenhum.
- Que coisas parvas ?
- Não te ris ?
- Claro que não tontinho.
- Começou a afectar-me por exemplo a criação da vida.
- Como assim ?
- Sei lá, saber de onde tudo isto veio, como começou a vida no nosso planeta. E antes de tudo isto que existe existir, o que existia…
- Não percebo…
- Imagina o momento da criação da vida como a conhecemos e concebemos…
- Sim…
- Imagina agora o que existiria antes disso. Algo teria de existir. E muito antes disso, algo mais teria de existir… É esse vazio de nada, como se no princípio algo tivesse que existir que me assusta. Às vezes dou comigo a voltar atrás no tempo e a esbater num vazio enorme que me assusta. Que não me dá respostas…
- Já tinha reparado que gostas de ter respostas para tudo. – disse na tentativa de me responder.
- Sim eu sei. A nossa cabeça, o nosso subconsciente é algo que não conseguimos dominar, nem controlar.
- E mais coisas te assustam Miguel.
- Sei lá. Coisas doidas e sem sentido…
- Conta-me quero saber…
- Coisas parvas. Provavelmente devo andar hipocondríaco. Ou então deve ser da idade. Tenho medo que me dê uma dessas vulgares doenças e me leve desta para melhor, e que passe a ser mais um numero que entra numa taxa qualquer de mortalidade.
- É certo que todos temos de morrer. Mas essa não deve ser a nossa maior preocupação. – passou a mão pela minha cabeça e continuou. – Ser feliz, estarmos bem connosco próprios, atingir os nossos objectivos na vida, um após outro. Para isso mesmo, sermos felizes.
- Eu sei princesa. Mas que queres. Este é o Miguel que não conhecias. Que provavelmente ninguém conhecia.

2 Comments:
Here are some links that I believe will be interested
Looks nice! Awesome content. Good job guys.
»
Enviar um comentário
<< Home