primeira parte
Merda. Merda. Merda.
Dou comigo a pensar em tudo. Estas viagens de avião são boas para isso... Pensar e fugir de toda a rotina que não deixo criar. Queixo-me, e na realidade nem sei bem porque me queixo, ou de que me queixo...
Recordo aquele dia fatídico... mas porque raio havia eu de ir comprar o computador. Mas a empregada era gira, morena, alta, simpática... e com uns olhos de morrer... nem reparei no que disse... sim, venha a ram... claro e o rom... sim, sim importantíssimos, Internet grátis, o tapete para o rato também... que bom. Hoje em dia já se oferece tudo, mas em especial coisas que nem fazemos ideia do e para que servem.
Mas devia ter pensado. Que raio me fazia falta a Internet. Mais que fazer tinha eu: uma ex-mulher, uma filha que vivia comigo, uma empregada interna chata que me fazia as vontades todas e dois cães. Tinha a pintura que retomara passado anos de medo. O jardim imenso à espera da minha promessa de cuidar dele. Tanta coisa e tão pouca. Provavelmente teria de ter sido mesmo assim.
Senti a mão dela. E recapitulei tudo. Um ano da minha vida passou à minha frente num ápice assombroso, como se fosse agora que tudo acontecia...
Cheguei a casa e lá veio a gordinha da minha empregada, com as suas lindas mãozinhas de chumbo, para me ajudar... seguida de uma pequena princesa e dois cães malucos.
- Oh menino deixe, que eu levo...
- Deixe que eu levo Dona Madalena, é muito peso...
- Pai... pai... que compraste?
- Deixe Dona Madalena, eu levo, feche-me os cães, que eu levo tudo isto para o escritório.
- Paiiiiiiiiiiiii...
- Diz princesa minha...
- Que é isso...???
- Um computador, já ficas com a caixa dos jogos só para ti e eu com o computador para mim. Como foi o teu dia? Aliás se bem pergunto que fazias cá fora...??? Os trabalhos estão feitos???
- Sim papá. Tudo feitinho.
- Imagino... esse papá, tá mesmo a dizer que fizeste tudo... Anda traz essa caixa, penso que seja o teclado e ajuda-me.
Depois do divórcio, a Ana era tudo o que demais importante tinha a minha vida. Centrara tudo nela e embora tivesse consciência de um ou outro erro, ficava com a certeza de que muitos pais também os cometeriam. É fácil falar, emitir opiniões, em especial sobre os filhos dos outros, mas quando nos toca, quando são os nossos, tudo muda. Tinha medo de estar a falhar, mas era o melhor que sabia fazer.
Acabei por deixar tudo no escritório e ir rebolar-me na relva com os miúdos. A Ana, o Apollo e o Tobias. Um belo rootweiller e um labrador maluco que acompanhados da minha filha davam cabo de mim. Acabámos por jantar no terraço e adormeci no sofá com mais um episódio de uns bonecos que me recuso revelar. No meu tempo os bonecos eram diferentes, mais giros... sem truques e magia... nem a acabar em terminações chinesas ou japonesas.
Merda. Merda. Merda.
Dou comigo a pensar em tudo. Estas viagens de avião são boas para isso... Pensar e fugir de toda a rotina que não deixo criar. Queixo-me, e na realidade nem sei bem porque me queixo, ou de que me queixo...
Recordo aquele dia fatídico... mas porque raio havia eu de ir comprar o computador. Mas a empregada era gira, morena, alta, simpática... e com uns olhos de morrer... nem reparei no que disse... sim, venha a ram... claro e o rom... sim, sim importantíssimos, Internet grátis, o tapete para o rato também... que bom. Hoje em dia já se oferece tudo, mas em especial coisas que nem fazemos ideia do e para que servem.
Mas devia ter pensado. Que raio me fazia falta a Internet. Mais que fazer tinha eu: uma ex-mulher, uma filha que vivia comigo, uma empregada interna chata que me fazia as vontades todas e dois cães. Tinha a pintura que retomara passado anos de medo. O jardim imenso à espera da minha promessa de cuidar dele. Tanta coisa e tão pouca. Provavelmente teria de ter sido mesmo assim.
Senti a mão dela. E recapitulei tudo. Um ano da minha vida passou à minha frente num ápice assombroso, como se fosse agora que tudo acontecia...
Cheguei a casa e lá veio a gordinha da minha empregada, com as suas lindas mãozinhas de chumbo, para me ajudar... seguida de uma pequena princesa e dois cães malucos.
- Oh menino deixe, que eu levo...
- Deixe que eu levo Dona Madalena, é muito peso...
- Pai... pai... que compraste?
- Deixe Dona Madalena, eu levo, feche-me os cães, que eu levo tudo isto para o escritório.
- Paiiiiiiiiiiiii...
- Diz princesa minha...
- Que é isso...???
- Um computador, já ficas com a caixa dos jogos só para ti e eu com o computador para mim. Como foi o teu dia? Aliás se bem pergunto que fazias cá fora...??? Os trabalhos estão feitos???
- Sim papá. Tudo feitinho.
- Imagino... esse papá, tá mesmo a dizer que fizeste tudo... Anda traz essa caixa, penso que seja o teclado e ajuda-me.
Depois do divórcio, a Ana era tudo o que demais importante tinha a minha vida. Centrara tudo nela e embora tivesse consciência de um ou outro erro, ficava com a certeza de que muitos pais também os cometeriam. É fácil falar, emitir opiniões, em especial sobre os filhos dos outros, mas quando nos toca, quando são os nossos, tudo muda. Tinha medo de estar a falhar, mas era o melhor que sabia fazer.
Acabei por deixar tudo no escritório e ir rebolar-me na relva com os miúdos. A Ana, o Apollo e o Tobias. Um belo rootweiller e um labrador maluco que acompanhados da minha filha davam cabo de mim. Acabámos por jantar no terraço e adormeci no sofá com mais um episódio de uns bonecos que me recuso revelar. No meu tempo os bonecos eram diferentes, mais giros... sem truques e magia... nem a acabar em terminações chinesas ou japonesas.

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